| Discos originais, sejam eles CDs ou DVDs, em geral, são muito caros. Isso
nunca foi novidade. O preço pago por um filme que acaba de chegar nas
prateleiras pode representar um valor próximo a 10% do salário mínimo de um
brasileiro. Isso é fato. A pergunta é, este fato justifica a pirataria?
Como que da noite para o dia surge um novo sucesso. Todos querem ver e ouvir
o ilustre cantor interpretar a canção que está na boca do povo. Logo a música
estará em todas as rádios e ocupará boa parte do tempo disponível no ar. Mas se
o negócio é bom mesmo, o melhor é ter uma cópia em CD, DVD ou, agora mais
recente, MP3 para ouvir quando bem entender. Até ai tudo sob controle, tudo sob
a ética social e religiosa. Se eu preciso de um CD eu compro, se preciso de um
DVD faço o mesmo, e se preciso de um MP3 posso comprar um CD e fazer a conversão
e está tudo ótimo. Uma vez que eu comprei um disco original eu posso
reproduzi-lo para uso próprio sem problemas.
Mas se ao invés de comprar eu baixei na internet? Ou pior, se eu comprei uma
cópia pirata? Nesse caso eu posso até buscar justificativas das mais comoventes
como: “Estou desempregado e por isso não posso pagar o valor do original”, mas
não tem jeito, acabei de cometar uma infração perante os homens e um pecado
diante de Deus.
Se a lei e os mandamentos de Deus são claros, por que as pessoas desobedecem
fazendo cara de “a vítima sou eu”? Essa resposta pode ser mais complexa do que
parece, mas vamos tentar discuti-la.
Primeiro surge a necessidade: Antes não existiam discos nem nada disso e
ninguém morreria sem isso. Mas ai, e agradeço a Deus por isso, sugiram os
primeiros discos. Que maravilha, era possível perpetuar a voz humana e os sons
diversos em uma porção de matéria inanimada. Se era barato ou caro, sinceramente
eu não sei, mas o preço de produção era muito alto para valer a pena piratear um
destes produtos. Resultado, quem podia comprar, comprava, quem não podia, ficava
na vontade. Bom, ainda hoje eu morro de vontade e necessidade de ter um carro e
me livrar dos sempre lotados coletivos, mas nem por isso eu saiu torcendo para
aparecer um modelo ilegal de automóvel para eu chamar de meu. Antes disso,
espero pacientemente o dia em que Deus irá me abençoar com essa graça, se é que
Ele vai, Ele não possui obrigação alguma quanto a isso.
Depois surge a facilidade, mas ilegal: De repente o mundo se depara com uma
nova tecnologia onde é possível replicar obras de áudio e vídeo por um custo até
quarenta vezes menor. É ilegal, mas nem parece! Talvez esse tenha sido o
principal fator para a expansão desse mal. As pessoas começaram a piratear sem
perceber. Inicialmente a ideia da quebra dos direitos autorais não era muito
divulgada. Assim, a pessoa baixava uma obra na internet, comprava uma mídia
gravável e realizava a cópia. Se não fosse a questão dos direitos autorais (que
não eram muitos divulgados inicialmente) não existia nada de ilegal nisso e
assim o erro foi se tornando normal.
Hoje, após alguns anos dessa prática, as pessoas se acostumaram a adquirir
uma obra pelo valor de uma mídia gravável de CD ou DVD. Logo, comparar o preço
da mídia com o preço real da obra é realmente muito desigual. E dessa forma
vai-se “empurrando com a barriga”, inventando novas desculpas de que o preço é
alto, que a culpa é do governo pelos altos impostos ou até que é desaforo dos
artistas cobrarem tão caro.
Mas independente de qualquer uma dessas questões, piratear é muito de
diferente de roubar? Segundo o dicionariodoaurelio.com piratear é:
“v.i. Fazer pirataria. / Roubar como os
piratas.”
Ainda segundo o mesmo dicionário pirata significa:
“s.m. e s.f. Fig. Pessoa que enriquece à custa
de outrem. / Bras. Malandro, namorador, conquistador barato. // Pirata aéreo,
pessoa que, sob ameaça, muda a rota de um avião em pleno vôo, com objetivos
políticos ou intenção criminosa.”
Talvez nosso principal sentimento diante dessa realidade é o de quê: “Mas eu
preciso disso e não posso pagar pelo original”. Vamos lá, você já parou para
imaginar como seria se os produtos ilegais não existissem? Bom, ou você
desistiria da aquisição e descobriria que aquilo não era tão importante assim,
ou faria os esforços necessários e adquiriria o tão sonhado produto.
Independente de nossas condições financeiras em um dado momento, se a
geladeira quebra, conseguimos conserta-la ou adquirir outra. Simplesmente por
que realmente necessitamos de uma geladeira em casa e não existem geladeiras
piratas no mercado à venda.
Hoje, para que as pessoas optem por produtos piratas bastam que esses
existam. Na maioria das vezes, os consumidores que adquirem esses produtos
poderiam sim, comprar o original. É tudo uma questão de escolher o mais fácil ou
invés do correto. A Super Interessante em uma edição extra sobre o filme Avatar (Ed 274-A. Jan/2010) onde, entre outros assuntos apresenta a
guerra da industria cinematográfica contra a pirataria, sugere que se desse para
baixar Big Macs de graça a McDonal's fecharia.
Um dia, em uma das aulas sobre Comportamento Organizacional, disciplina
integrante do curso de Engenharia de Computação que conclui no final de 2009,
meu professor, falando sobre ética e honestidade, citou uma frase que me chamou
à atenção. Ele disse que para sermos constantemente honestos é necessário travar
uma guerra interior a cada instante. Pensar nisso me lembra o texto contido em
Mateus capítulo 7 versículos a seguir:
13 Entrai pela porta estreita; porque larga é a
porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram
por ela;
14 E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que
leva à vida, e poucos há que a encontrem.
Se adaptarmos o texto sagrado ao problema da pirataria (e podemos fazer isso)
teríamos o autor nos exortando sobre a vida ilegal. Nos lembraria que muitas são
as pessoas que seguem por esse caminho, mas que nós devíamos viver sob a
legalidade independente das dificuldades, por que assim é o caminho para os
céus.
Considerando o sentido espiritual, a pirataria representa de longe, o mal do
século. Hoje, para muitos religiosos, é mais fácil evitar a grande maioria dos
pecados que deixar de consumir produtos pirata. Muitas das igrejas estão
dormindo para essa, que pode ser considera a maior armadilha de Satanás dos
últimos tempos. Esse é um pecado frio, que geralmente não nos leva ao
arrependimento como o adultério ou a mentira. A pirataria é cautelosa, tem a
marca de seu criador: O Inimigo de nossas almas. A Palavra de Deus nos revela
que Satanás é astuto e vive por tentar nos tragar:
EFÉSIOS 06:
11 Revesti-vos de toda a
armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do
diabo.
I PEDRO 05:
8 Sede sóbrios, vigiai. O vosso
adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem
possa tragar;
Ainda, a mesma Palavra nos mostra que Jesus Cristo reprova qualquer tipo de
irregularidade, tendo Ele mesmo nos deixado o mandamento para que cumpríssemos
com nossas obrigações diante das autoridades. Jesus nos mandou pagar nossos
impostos:
MATEUS 22:
21 Dizem-lhe eles: De César.
Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de
Deus.
Se bem interpretado, o texto descrito acima (Mateus 22:21) responde ainda a
outra pergunta: “Eu posso usar produtos ilegais para louvar a Deus?” Parece até
brincadeira, mas o número de discos de música gospel presente nas vendas de
produtos pirata só tem crescido. Fato esse que sugere uma dura realidade:
Protestante estão consumindo a cada dia mais discos pirateados, e o pior, para
adorar a Deus. Bom, Jesus disse: “a César o que é de César, e a Deus o que é de
Deus”. Eu nunca vi Deus possuir nada ilegal!
Pense nisso. Se o produto que você necessita existe uma versão mais barata ou
gratuita que seja legal (como software livre) substitua,
se não (como no caso de obras artísticas) avalie suas condições, junte dinheiro
e compre, se você não tem condições, bom, você não tem condições!
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