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Instituto Teológico Gamaliel
"Teologia levada a sério."

Escatologia

Nota importante:

Apresentamos neste Curso as três Escolas Escatológicas mais conhecidas: Pré-milenar; Pós-milenar e A-milenar – Começamos apresentando a visão escatológica chamada de Pré-milenar, ou seja, a visão em que Jesus volta antes do Milênio.

CAPÍTULO 1

A HERMENÊUTICA

E A ESCATOLOGIA

Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação bíblica não seria possível deixa-la de fora de um trabalho como este, já que a escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil compreensão, por isso precisaremos conhecer os dois principais métodos de interpretação para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo não a deturpemos para provar teorias infundadas.

O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados sendo que o primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes dominado, quase em totalidade, pelo método literal.

1.1- O ALEGORISMO

O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a interpretação era dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao nível da alma, e o alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem usados para interpretação de um texto: o histórico, o doutrinário, o profético, o filosófico e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do alegorismo e os transformou em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer dizer; o sentido moral, uma visão do texto que retratasse um ensinamento sobre conduta; sentido alegórico, como crer e em quem crer e de que maneira; o sentido anagógico, o que o texto promete ou representa para o futuro. Assim vemos que agostinho ao ler um texto tinha consciência de seu sentido literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais que o que estava escrito.

Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele que em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando um sentido secundário anulando a intenção primária do escritor, um exemplo deste tipo de interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a respeito de um período de mil anos em que a teocracia seria instituída e o próprio Jesus reinaria sobre a terra, os alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este período está sendo cumprido agora pela igreja, e os mil anos não são literais, mas sim espirituais. Grandes perigos rondam a alegorização já que esta não interpreta as Escrituras, mas dá um novo sentido a ela baseados na imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra fundamental da hermenêutica, a Bíblia deve explicar-se por si mesma.

Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de alegorias para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do seu sentido literal, porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de conceitos contidos no texto em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas baseadas em textos alegorizados como o exemplo acima citado que perverte um ensino bíblico com uma interpretação mística de um texto que não poder ser compreendido de outra maneira senão literalmente. É importante ressaltar que o método alegórico trata-se de um sistema usado para interpretar a bíblia e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras.

1.2- O LITERALISMO

Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira:

“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo escrito oral ou conceitual”.

Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no sentido de trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele não modifica a idéia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira coerente. A bíblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus propósitos e mandamentos e, portanto não permitiria que este mesmo homem interpretasse seus ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera que suas palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, é certo que temos linguagens figuradas, simbólicas e alegorias nos textos bíblicos, no entanto o fato deles existirem não obriga ao interprete usar outros métodos, pois por trás das parábolas, tipos, figuras e símbolos estão verdades literais, sabemos também que, não podem ser interpretados ao pé da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na bíblia, a compreensão correta do texto.

Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma videira e seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde diz:

 “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente;... Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele”.

É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele gostaria que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam é o fato da comunhão, a ligação que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que não aceita outra interpretação senão a que o texto sugere.

Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não pode ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: “Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Nos é claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para advertir aos que se incomodavam com o clamor do povo.

1.2.1 - Os judeus e o literalismo.

Os muitos mandamentos e advertências de Deus para seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para então serem transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos receptores também careciam de interprete para que o ensino fosse totalmente entendido, mas qual método era usado para esta interpretação? Quando Deus falava, suas palavras eram entendidas literalmente? A resposta é sim. O método usado pelos Judeus para interpretar todos os oráculos do Senhor era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se comessem o fruto da arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou fosse entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de Deus.

Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as que falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) alimentavam a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas elas.

1.2.2 - O literalismo no Novo Testamento.

Não só Jesus, mas também os discípulos sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17 ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que está em Is 42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus interpretou como literal não alegorizando seu sentido; outro versículo interessante que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31.

 

 Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem;

Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24, 28, 36 demonstram que o apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias do antigo testamento.

1.2.3 - O literalismo na história da igreja

Por toda a história da igreja, mesmo com o surgimento de outros métodos de interpretação os grandes nomes do cristianismo verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e os apóstolos praticaram, o que segue são breves comentários referentes ao uso do literalismo no decorrer da história da igreja de Cristo.

a) Na igreja primitiva

Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do reino milenial ele diz:

"Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras; cada videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil cachos e cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco metretes de vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: 'pega-me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor'. Da mesma forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa. Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornarão pacíficos e viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutância".

Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio nunca existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavam piamente em sua existência. Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as promessas de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi escrita por volta do século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “A glória de sua vinda poderás - ó Rei - conhecê-la, se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama Escritura Evangélica”. Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo como fala de sua referência nas Escrituras.

Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do Pentatêuco e Juizes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo narrativas dos eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem os alegoristas. 

Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como o referem brevemente o Salmo 106 com as palavras: "Fundaram cidades para habitar nelas, semearam campos e plantaram vinhas" (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes entregou a terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: "Então gritaram ao Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas angústias" (Sal 106,6), está indicando o livro dos Juizes. Já que quando eles gritavam os suscitavam juízes a seu devido tempo para livrar a seu povo daqueles que o afligiam. O referente aos reis se canta no Salmo 19 ao dizer: "Alguns se vangloriam em carros, outros em cavalos, porém, nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles foram detidos e caíram; porem nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor, salva ao Rei e escuta-nos quando te invocamos!" (Sal 19,8-10). E o que se refere a Esdras, o canta no Salmo 125 (um dos salmos graduais): "Quando o Senhor trocou o cativeiro de Sião, ficamos consolados" (Sal 125,1); e novamente no 121: "Me alegrei quando me disseram: 'Vamos à casa do Senhor'. Nossos pés percorreram teus palácios, Jerusalém; Jerusalém está edificada qual cidade completamente povoada. Pois ali sobem as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel" (Sal 121,1-4). (A numeração dos Salmos é referente ao texto original Católico Romano)

Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretação, e ao comentar disse:

“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das Escrituras divinas e fazem tudo quando está escrito servir a seus próprios fins... Eles arquitetam algumas fábulas tolas em sua própria mente e dão à sua tolice o nome de alegoria. Usam mal o termo do apóstolo como uma autorização em branco para suprimir todos os sentidos da Escritura divina”.

Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido pelos mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é Tertuliano, tido por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo.

b) Entre os reformadores

Durante quase toda a idade média a igreja Católica Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única capaz de fazê-lo corretamente:

“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e ministério divino de guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria, Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina).

Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este o método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os “Princípios Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:

“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar que o autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o que nós pensamos que ele deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a mente do escritor. Considerou como sacrilégio o uso da Escritura à mercê do prazer de cada um. Ele recusou apresentar seus pontos de vista teológicos em conjunto com sua interpretação da Escritura. Os princípios de Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-histórico) (...)”.

 

Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos sejam fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso indispensável do método literal.

Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de Westminster tem o seguinte parágrafo:

“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente”.

Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689.

Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o alegorismo medieval:

John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o método alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas do apóstolo Paulo em seu sentido literal e no seu contexto histórico.  Três anos depois, em 1499, ele já sustentava o princípio de que as Escrituras não podem ter senão um único significado: o mais simples.

Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos nos ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como requerido pela gramática e pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’

Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que ele chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da verdade das Escrituras. ‘‘É uma audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e brincar com elas como com uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’. 

Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo o grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum parecer quanto ao método de interpretação.

A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que não há outro método de interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu sentido original, ou seja, levar em consideração aquilo que o escritor realmente queria dizer. O fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto não temos o direito de dar-lhe outro sentido apenas baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido das Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica da Escritura divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”.

CAPÍTULO 2

O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS

É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos realizados por Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e as promessas inclusas nestes pactos esperam cumprimento total.

Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes maneiras de tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos estabelecidos por Deus em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas e também exigências como condições para que as alianças ou parte delas sejam concluídas. É interessante ressaltar que as alianças ou pactos tinhas características diferentes relativas ao seu cumprimento, algumas eram totalmente condicionais, onde, aquela pessoa ou nação com quem foi feita a aliança, deveria cumprir alguns pormenores para sua realização. As incondicionais ao contrário, não estavam dependentes da pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus prometia e independente de qualquer coisa ele se comprometia a fazer.

O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o mesmo contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão interligadas e elas tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao homem e também o desenvolvimento deste relacionamento.

No quadro veremos um resumo das dispensações e suas alianças:

AS

DISPENSAÇÕES

ALIANÇAS DA

DISPENSAÇÃO

INÍCIO DA DISPENSAÇÃO

1- da Inocência

1- Edênica Gn 1:27-30

Na criação

2- da Consciência

2- Adâmica Gn 3:14-21

Na queda do homem (durou cerca 1656 anos)

3- do Governo

     humano

3- Noêmica Gn 9:1-17

No fim do dilúvio (durou cerca de 415 anos)

4- Patriarcal

4- Abraâmica Gn 12:1-3

Na chamada de Abraão (durou cerca de430 anos)

5- da Lei

5- Mosaica Ex 19:1-25

6- Palestínica Dt 28,19,30

7- Davídica IISm 7:12; Sl 89:3-4

No Sinai quando Deus da a lei a Moisés ( 1445 a.C.)

6- da Graça ou da Igreja

8- Nova aliança

Na morte vicária de Cristo na Cruz do Calvário

7- Milenial

Não existe aliança específica para esta dispensação mas sim a confluência de algumas que encontrarão seu total cumprimento.

Na vinda de Cristo para julgar a terra e estabelecer seu reino

2.1- AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA

Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica, implicações escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias áreas da doutrina. O que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que cada uma delas representa para a igreja, para os gentios e para Israel.

A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse da terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a formação de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno confirmado na aliança Davídica. Através de sua descendência todas as nações seriam abençoadas o que é confirmado na Nova Aliança. Veja no esquema abaixo e confira as referências, as promessas e suas ligações com as outras alianças.




 

2.2- ALIANÇA ABRAÂMICA

A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano 2166 a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana, Ur dos Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia sido conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente com filhos e noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado está registrado em Gênesis 12:1-3

 “Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Em outros textos encontramos complementos desta aliança:

Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.

Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei. (leia também 15:1-21; 17:1-14)

Podemos numerar as promessas da seguinte forma:

1.   De Abraão sairia uma grande nação.

2.   Ele seria abençoado;

3.   Seu nome seria engrandecido;

4.   Ele mesmo seria uma grande bênção;

5.   Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o amaldiçoassem;

6.   Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas;

7.   Canaã seria de sua descendência;

8.   A possessão da terra seria eterna;

9.   Seria o patriarca de vários reis;

10. A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência.

 Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma condição, ou seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha a ser cumprido é uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança incondicional.

A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”. Ao cumprir esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria cumprir. Eugene H. Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz:

A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8) estão registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do antigo oriente Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que parte daquele que concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista quaisquer pré-requisito ou qualificação.

No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica em Hebreus 6:13-17

Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento,(...)

As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele surgiria uma grande nação, e para sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome seria grande e quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse seria amaldiçoado; através dele todas as nações seriam abençoadas e a aliança que Deus estabelecia com ele seria eterna. As promessas da aliança têm caráter literal e não figurado, se Deus o prometeu iria cumprir cabalmente todas elas. É notório que as promessas não foram, ainda, realizadas em sua totalidade já que Israel nunca possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado literal ainda não existe, porém, como veremos adiante, estas promessas encontrarão cumprimento no milênio.

2.3- ALIANÇA PALESTINA

Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento de transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com o pai Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de entrar na terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma nova esperança ao povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio 30:1-10:

   Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o SENHOR, teu Deus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (...) O SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais. O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, (...) pois, darás ouvidos à voz do SENHOR;(...) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra(...) se deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(...)

O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida à descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-68), no entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais sua reafirmação. Vejamos os pontos desta aliança:

1.   Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4)

2.   Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5)

3.   Teriam grande prosperidade (v.5,9)

4.   Deus converterá toda a nação para si (v.6)

5.   É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7)

A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se vê uma repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também incondicional, o fato de a conversão de Israel ser aparentemente a condição para que Deus cumpra sua promessa não torna a aliança condicional, pois o Senhor disse que converteria seu povo, veja bem, ele seria o autor da conversão:

SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas. De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR; cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno.

O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria, quando; ou seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não condiciona a promessa porque o tempo  desta conversão  será  determinado por Deus “porém o SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos” ocorrerá no fim da grande Tribulação. 

E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11)

2.4- ALIANÇA DAVÍDICA

A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por parte de Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16:

  Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.  Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.

Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao Senhor (2Sm 7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos observar que:

1.   Deus lhe daria um filho (Salomão);

2.   Após sua morte o reino seria entregue a este filho;

3.   Seu filho edificaria o templo do Senhor;

4.   Deus amaria esse filho;

5.   Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas transgressões;

6.   Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam estabelecidos para sempre.

Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência, sentaria no trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter incondicional, Deus se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este descendente que sentará no trono, uma vez que Israel está novamente em sua terra e formando novamente uma nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-31:

  Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.

Lucas 1:31-33 esclarece:

Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.

Ao amilenistas (os que não crêem na existência de um milênio literal) tem lutado para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta promessa, onde Jesus, o descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal interpretação é necessário espiritualizar demasiadamente o texto e seu cumprimento, não observando que desde o início os eventos prometidos como: o nascimento de Salomão, a construção do templo, seu reinado, seus pecados e castigo divino, como também a permanência da misericórdia do Senhor em sua vida, que foram cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais, indicam o caráter da promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes cumprem apenas a parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por Cristo ao longo de seu reinado sobre a igreja.

O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino dessa forma em Mt 25:31-33.

 

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.

Não há a menor base para um reino espiritual cumprir este aspecto da aliança, o fato de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite ligação ao trono de Davi, apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel também fala da permanência literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24:

O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.

Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”, porém retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado a preservação da casa de Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação, ter seu trono ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir seu reino eterno. 

2.5- NOVA ALIANÇA

Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus havia estabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos benefícios exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e assim é chamada em Hebreus 8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete uma nova e definitiva aliança, chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram prometidas bênçãos materiais e espirituais definitivas para Israel. O texto de Jeremias 31:31-40 diz o seguinte:

  Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá.  Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR.  Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.  E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Assim diz o SENHOR, (...) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de Hananel até à Porta da Esquina.(...) Esta Jerusalém jamais será desarraigada ou destruída.

O resumo desta promessa de aliança é:

1.   A promessa de uma nova e futura aliança;

2.   Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá;

3.   Uma conversão real e definitiva;

4.   Comunhão eterna entre Deus e Israel;

5.   Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus;

6.   Jerusalém será reedificada e eternizada.

Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos são os mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem:

 Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.

O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador da nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da mosaica, que, portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13). O escritor continua no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao receber a lei (aliança) aspergiu sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos do ministério (v.19-21) “dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros”. E complementa dizendo que “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão”. O fato é que ano após ano haveria de fazer novos sacrifícios para se alcançar o “perdão” dos pecados, tornando esta aliança incompleta, ou, como diz o escritor, ”uma sobra de bens futuros”. Jesus sendo o próprio sacrifício aceitável diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança, tornado-a perfeita e completa.

Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras, foram feitas com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que esta não pode cumprir a aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos na proclamação da aliança Deus dizer “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá”. O caso é que os amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre esta aliança tornando desnecessário um milênio literal, no entanto é impossível, pois, aqueles que crêem no sacrifício de Jesus pela fé, são, como diz o apóstolo Paulo, enxertados (Rm 11:24), não são ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a nova aliança, é apenas de beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas bênçãos, porém, não pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro que na nova aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-lhe Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio deles. Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até hoje nunca se viu acontecer na nação de Israel, o porque tem resposta simples, a aliança é futura para eles.

João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer a nova aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”, a questão é que Deus tinha um propósito específico que era o de incluir os gentios em seu plano de salvação. “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo (Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). Estes gentios se tornaram a igreja, sendo então, participantes das bênçãos espirituais da aliança através da fé no mediador dela, Jesus Cristo”.

 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.(Jo 1:12)

A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas, e necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá todos os desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores referentes ao milênio serão abordados mais adiante.

2.6- O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO

Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a história da humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e todas elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de tempo chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará este fim? Dois grandes eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio. Nos capítulos seguintes estudaremos detalhes dos eventos como também tudo o que os envolve.

CAPÍTULO 3

DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA

Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à idéia principal que cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos escritores nomeando o arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas que, como veremos não permitem tal nomeação de modo definitivo.

Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela igreja, pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser alimentada com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3.

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.  E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

No entanto existem teorias que negam sua existência ou que mesmo reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada quanto ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma forma decisiva para romper com as dúvidas.

3.1- arrebatamento

O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts 4:17, quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na sua vinda e ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os mortos ressurgirão primeiro e:

... Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.

Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem um significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no sentido de tomar para si; já em Mateus 13:19 a idéia é de “roubo” como também em João 10:28; uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12, “atacar” no sentido de investida. É derivado de haireomai (que significa tomar para ii, preferir, escolher, escolher pelo voto, eleger para governar um cargo público). De qualquer forma arrebatamento significa tomar para si, roubar, raptar, capturar; qualquer uma é valida desde que esteja de acordo com o contexto, por isso “harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como:

...depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos encontrarmos com ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor.

Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível tradução, no entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a comprou com seu sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto arrebatamento é o evento em que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua igreja, Paulo adverte a igreja a esperar em santidade e vigilância.

1 Ts 5:23  O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

3.2- VINDA

Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são utilizadas nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos conhece-las para que tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e se podemos utilizá-las ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo.

Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é: presença, vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a futura visível volta de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos, realizar o juízo final, e estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus” (Thayer)

Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter chegado, estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong).

Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento quanto à volta gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se a presença pessoal de qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de alguém, que no caso é Estéfanas, Fortunato e  Acaico, como em Fp 2:12 onde Paulo fala de sua parusia (presença) entre os filipenses em contraste com sua apousia (usência); em 2Ts 2:9 trata do aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23, 1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros referem-se ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27, 37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre outros, tratam da vinda gloriosa de Jesus a terra. Concluímos então que parusia não tem condições de ser usada para definir decisivamente e exclusivamente como sendo a vinda no arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia expressa na língua portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode ser de qualquer coisa ou pessoa.

O fato é que este termo tem sido usado por vários escritores como sendo a palavra que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro, pois o termo , como vimos, pode significar vários tipos de vinda.

Epifhanéia manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa “brilho à frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta gloriosa de Jesus após a grande tribulação.

Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é epifhaino (que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc 1:79, At 27:20 e Tt 2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14).

Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1 “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino”, e Tt 2:13 “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” neste versículo encontramos os dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a expressão “bendita esperança” refere-se ao arrebatamento, enquanto “manifestação da glória” trata da vinda gloriosa de Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o contexto indica que se trata do arrebatamento e em 2Tm 1:10 o contexto indica claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em Mt 24:27 revela o brilho da glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se tratar de vários tipos de vinda e “aparições”, e não definir claramente qual, não pode ser estabelecido que quando se fala da vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo “a epifhanéia de Cristo”.

Apokalupsis - Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de apokalupto (revelo, descubro).

Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua vinda, no entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se referindo. Em Lc 17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de Cristo; em 1Co 1:7, Cl 3:4 e 1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu significado e uso abrangente também é usado nas Escrituras para referir-se a descobrimento e revelação da palavra de Deus na alma entre outros usos. Em Lc 12:32 fala da revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e Ef 3:3 falam da revelação do “mistério” que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o termo retrata a questão da revelação do conhecimento de Deus à alma do homem e etc... Portanto, fica difícil provar que este termo indique claramente que evento ele se refere já que alem, de ser utilizado para relatar os dois, tem outros usos.

Phanerósis - Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para designar a volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada nos textos que falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “A manifestação (phanerósis) do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso”, não indicando a manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma manifestação do Espírito Santo,  no sentido simples de demonstração. O verbo que está relacionado ao termo em questão é phaneró (revelar, mostrar, fazer conhecido, como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21; 2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm 3:16; Tt 1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de suas formas (phanerós-adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere à manifestação de Cristo.

A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi introduzida no texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se referia, mas sim para deixar claro o ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma delas revela características marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a vinda manifestará sua presença; epiphanéia trata da volta como algo glorioso devido seu aparecimento e apokalupsis fala da manifestação completa no sentido de se revelar, tornar-se conhecida sem qualquer obscuridade, perante o mundo, como Rei dos reis.

Código de resposta: TP_0403

Responda a seguinte questão:

Dentro da visão pré-milenar, que estamos estudando de início. Quais seriam os textos bíblicos mais específicos, mas claros e positivos para afirmar que o arrebatamento acontecerá de forma invisível? 

T_0404_Escatologia - Adendo Cultural

Escolas e Tempos - Reflexões sobre o Apocalipse

A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma em que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do livro ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro foi cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e somente se cumprirá plenamente no futuro.

A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista busca um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético.

Escola do Idealismo

A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos específicos a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser aplicadas a todas as situações (ou serem delas derivadas).

Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram ensinados claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa?

Erdman indaga:

. . . os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados em eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões proféticas ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria ainda raiar? (Chrles R. Erdman, Revelation, p. 25)

Incoerências do Idealismo

Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as outras escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento histórico real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso também são históricos?

É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de literatura apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está interessado em abstrações.

Escola Preterista

O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apoc