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Como ser um pregador
“Procura
apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar,
que MANEJA BEM a palavra da verdade”. II Timóteo 2:15
Que
formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir
a paz, que anuncia cousas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu
Deus reina!” - Isaías 52:7
“...prega a
palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com
toda a longanimidade e doutrina.” - II Timóteo 4:2
INTRODUÇÃO
Nosso
objetivo é passar a todos os interessados noções básicas de Homilética,
Hermenêutica, Exegese e Retórica, a fim de ajudar a preparar obreiros para a
pregação do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Aqueles que
desejarem se aprofundar em seus estudos e pesquisas sobre a arte de pregar,
devem procurar estudar também um pouco sobre “Dialética” (= a arte de
raciocinar; lógica; arte de argumentar ou discutir ) e também cursos práticos
de Português com abordagem de “Técnicas de Redação”. Cursos de técnicas de
impostação de voz também poderão ser muito úteis. Aqueles que tiverem
dificuldades na “fala” ou problemas relacionados à “dicção” devem recorrer
ainda aos serviços profissionais de um “Fonoaudiólogo”.
Finalmente,
é recomendável que todos os pregadores passem por um Curso Teológico básico
(equivalente ao segundo grau - secundário) ou Bacharel (equivalente ao terceiro
grau - superior), para aprimorar os seus conhecimentos em muitas outras
matérias que não serão aqui abordadas, tais com: - Dialética, Grego, Hebraico,
Inglês, Teologia Sistemática, Psicologia ( Geral, da Religião, Pastoral ),
Música, Filosofia, Heresiologia, Geografia Bíblica, História da Religião,
História da Igreja, Introdução à Teologia do Velho e do novo Testamentos,
Administração Eclesiástica, etc.
I - DEFINIÇÕES
Segundo
alguns dicionários, “exegese, hermenêutica e homilética” significam a mesma
cousa, porém, para nós, evangélicos, costumamos fazer as seguintes distinções:
a)
HERMENÊUTICA - É a arte de interpretar textos inseridos no seu contexto;
b) EXEGESE -
É a arte da interpretação minuciosa de um texto;
c) HOMILÉTICA - É a arte de se preparar, organizar e apresentar o sermão, palestra,
discurso ou estudo;
d) RETÓRICA - É a arte de falar e argumentar em público, através de sermões, palestras,
discursos e estudos.
II
- O “PREGAR” O EVANGELHO
“Procura
apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar,
que MANEJA BEM a palavra da verdade”. II Timóteo 2:15
O conceito bíblico de
pregação é um anúncio, uma proclamação de boas novas, o kerygma (mensagem)
revelado pelo Espírito de Deus.
Assim sendo, o pregador não
pode e não deve falar qualquer coisa, e também não deve escolher precipitadamente
este ou aquele assunto... É preciso buscar a direção de Deus para saber qual o
assunto a ser abordado em cada ocasião. É preciso saber o que o Espírito Santo
quer dizer à Igreja! A definição de tema ou assunto, e/ou do texto, devem ser
obtidos no Espírito, através de oração e de comunhão com Deus. O pregador
precisa ter a certeza da direção divina para a palavra que proferirá.
A única pregação eficaz é a
que é feita “em demonstração de espírito e de poder” - I Cor 2:4-5
A pregação ocupava boa
parte do ministério pessoal de Jesus - Mt 4.23; 9.35. E Jesus disse: “Eu
vos envio como o Pai me enviou” - Lucas 4.18-21
III - OUTROS CUIDADOS QUE O PREGADOR
DEVE TER
a) Na área espiritual - o pregador precisa preocupar-se e ter zelo em
relação a:
- sua
piedade pessoal - é preciso estar disponível para ser usado por Deus;
- estar
sempre estudando a Palavra, pois é a Palavra que ele interpretará;
- ter fé
espontânea e corajosa, porém serena e tranqüila que demonstre a sua real
confiança em Deus;
- a
convicção de chamada e de envio, aliada a uma reconhecida vocação cristã;
- ser
humilde, despido de qualquer vaidade;
- ter
espírito de oração, de forma a ser sempre um canal livre para a comunicação do
Alto;
- ter
uma boa visão e discernimento da obra, em suas diferentes nuances;
- ter
sensibilidade espiritual e unção do Espírito;
- ter profundo
amor e paixão pelas almas perdidas e pelas ovelhas do rebanho.
b) A nível físico/natural - o pregador precisa cuidar:
- da sua
aparência e higiene pessoal;
- do
desenvolvimento sóbrio e fecundo da sua inteligência;
- do
exercício freqüente e sábio da sua memória;
- do
adestramento freqüente da sua dicção;
- do
cuidado com a sua saúde pessoal e com a sua alimentação;
- do
aprimoramento incansável dos seus conhecimentos do idioma;
- de ter
boa cultura geral e estar sempre bem informado;
- da sua
preparação psicológica.
IV - A TOTAL DEPENDÊNCIA DO
ESPÍRITO SANTO
Feita a
sua parte, que consiste em se preparar da melhor forma possível, em todos os
aspectos, o pregador precisa estar consciente de que, em todo o tempo, deverá
caminhar na total dependência do Espírito Santo; nunca confiar nos seus
próprios méritos ou suposta capacidade. A pregação é a semeadura, e isto
o homem deve fazer da melhor forma possível; contudo, o crescimento da
semente e o fruto são obra do Espírito Santo. O pregador poderá até fazer
um convite para que as pessoas se posicionem ou se manifestem, de alguma forma,
em relação a palavra ouvida. Contudo, o verdadeiro apelo é aquele que o
Espírito Santo faz, de forma silenciosa, invisível, diretamente ao coração do
ouvinte! É até possível através de uma boa oratória persuadir a platéia,
porém, o verdadeiro convencimento, a verdadeira conversão, o verdadeiro
arrependimento para a vida, somente o Espírito Santo poderá operar no coração
do pecador. A perícia se adquire com dedicação e denodo, porém a unção somente
Deus no-la pode dar! Pregação sem unção é mera falácia!
V
- RELAÇÃO DA HOMILÉTICA COM A RETÓRICA
Juntamente com a língua grega, veio a retórica grega.
No final do século IV a retórica grega havia alcançado o seu maior
desenvolvimento na oratória de Demóstenes e no famoso tratado de Aristóteles
sobre a retórica. Posteriormente vieram contribuições de oradores romanos,
notadamente Cícero e Quintiliano. A retórica ensinava o estudante na arte de se
expressar com facilidade, com frases apropriadas e irresistíveis, levando-o a
obter o melhor resultado possível, especialmente na tribuna e no senado.
A
prédica cristã começara na palestina. Os primeiros pregadores, auditórios,
formação e afinidades espirituais eram judaicas. A maneira de se pregar
contudo, seguia o estilo dos Profetas do Velho Testamento e o padrão
rabínico, porque a retórica perdera o crédito para os judeus, em razão de
advogados inescrupulosos e falsos mestres dela se utilizarem vergonhosamente
com sofismas para fazer com que o pior parecesse o melhor, dando a mentira um
ar de verdade! Assim pois, se fez a prédica primitiva à maneira e cultura
judaica e não da gentílica. E ao sermão de dava o nome de homilia.
Entretanto,
com a disseminação do Evangelho entre as nações gentílicas, em cujo seio as
tradições e formas judaicas eram pouco conhecidas, e com a conversão de homens
que já tinha sido treinados na retórica, os quais, dia-a-dia se tornavam
pregadores, e, naturalmente, usavam os seus dotes retóricos na proclamação do
Evangelho. Assim, gradativamente, a homilia (em voga até o século III) cedeu
lugar ao sermão mais elaborado. Homens piedosos como Gregório,
Crisóstomo, Ambrósio e Agostinho, elevaram a prédica cristã a níveis nunca
antes alcançados pelos gregos, e a transformaram em um instrumento de poder
espiritual, entre pessoas de todos os níveis, cultas e incultas. Assim foi que
surgiu a Homilética, que nada mais é do que a adaptação da retórica às
finalidades especiais e aos reclamos da prédica cristã.
VI - PERIGOS RELACIONADOS A
RETÓRICA
Uma
cousa é adesão, outra bem diferente é conversão. Os métodos retóricos são e
serão sempre limitados. Só há conversão quando o Espírito Santo convence o
pecador do seu pecado. O convencimento intelectivo poderá produzir apenas
“adesão”. O Apóstolo Paulo temia que com “palavras persuasivas” viessem a
insinceridade e o orgulho ao coração do semeador, estando ele vazio. Muitos
recursos de retórica, sem humildade, unção, e dependência da ação do Espírito
Santo, podem fazer do orador um dominador de assembléias ao invés de uma
testemunha ou companheiro de adoração.
Os
recursos da homilética e da retórica devem ser utilizados com temor e
reverência, na dosagem certa e com humildade, na total dependência do Espírito
Santo, para que se o auditório sentir o desejo de aplaudir, aplauda o Criador,
pela grandeza do Seu Amor, pela verdade ouvida, e não o pregador pelo seu
desempenho! E, em havendo aplausos, aclamações, elogios, que o pregador seja
humilde e transfira os louros para Deus, reconhecido de que, se a bênção fluiu
é porque o Espírito Santo esteve presente e trabalhando em todos e sobre todos,
inclusive no seu próprio desempenho na tribuna.
a) Demasiada ênfase a regras e fórmulas - O pregador precisa dar sempre maior atenção a
princípios do que a regras e regulamentos. O pregador deve lembrar sempre que o
objetivo da prédica é elevar o ânimo do ouvinte, despertar a sua imaginação,
mexer com os seus sentimentos e impelir poderosamente a sua vontade na direção
daquilo que a verdade impõe, que em relação a prédica cristã será sempre o crer
e confiar em Deus, em toda e qualquer circunstância. Em certas circunstâncias,
o pregador poderá até o violar as boas regras da homilética e da retórica, mas
nunca quebrar ou contrariar princípios bíblicos! Lembre-se: “A melhor qualidade
dum sermão não é o fato de ele ser bastante homilético, e sim o de mover e
comover as almas para aceitarem o Reino de Deus e a sua justiça” - John A.
Broadus.
b) Imitação e plágio - Existe a imitação consciente e a inconsciente. As
duas são prejudiciais, conquanto a última seja menos censurável. Podemos
apreciar e procurar até assimilar as boas qualidades observadas em outros
pregadores, nunca porém devemos imitá-los! Lembremo-nos sempre de que Aquele
que Chama, é o mesmo que Capacita, e dá dons aos homens! Deus usa cada um de
uma forma, e, certamente, poderá se utilizar de você dentro do seu próprio
estilo. É lícito utilizar expressões e ilustrações originárias de outros
pregadores, desde que se cite a fonte! Procure exercitar sempre a prática de
preparar os seus próprios sermões, pois isto levará você a crescer na arte da
prédica. Inspirar-se com a prédica de outros oradores é até natural, agora
imitá-los conscientemente é algo que se deve evitar. O plagio ou imitação
conduzem sempre o orador à superficialidade, uma vez que ele nunca será
original! Quando o pregador desenvolve o seu próprio raciocínio e segue o
caminho traçado pelo seu próprio pensamento, o seu desempenho é muito mais
satisfatório. Seja sempre você mesmo, evite imitações!
c) Artificialismo - “Em toda a fala, especialmente na pregação, a
naturalidade e a genuinidade, ainda que embaraçadas, são realmente mais
eficientes do que o mais elegante artificialismo.” - John A. Broadus. O
perigo do artificialismo é muito grande, a pessoa se sente embaraçada, dentro
de uma situação nova e estranha. Deve-se evitar todo e qualquer artificialismo
intencional, e mesmo aqueles involuntários e inconscientes. O pregador deve
visar sempre uma pregação genuína, de boa fé, original, ser o mais natural
possível, dominar bem o assunto, inspirar confiança, nunca pregar baseado
apenas na prática, o seu compromisso maior é enfatizar aos ouvintes as verdades
contidas na Palavra de Deus!
VII - COMO AVANÇAR NO ESTUDO DA
HOMILÉTICA E DA RETÓRICA
Além dos
inúmeros tratados sobre prédica disponíveis hoje no mercado literário, você
pode recorrer ainda às seguintes fontes:
a) Procure ouvir bons pregadores - os sermões que ouvimos, quando escutados em espírito
de oração, e com o intuito de aprendizado, muito podem nos ajudar;
b) Procure sempre ter à mão papel e caneta para suas
anotações pessoais enquanto ouve outros pregadores - além de montar um esboço, do seu jeito e com as suas
palavras, das verdades que se sobressaem em sua mente, em algumas oportunidades
a partir do sermão que ouvimos poderemos ter a inspiração para criar outros
sermões derivativos ou até mesmo sobre temas diferentes - é bom anotar, porque
a inspiração vem e passa! E depois você poderá não se lembrar mais!
c) adquira livros de sermões publicados (ou de
esboços) de renomados pregadores -
leia-os e examine-os à luz da Bíblia - e se resolver utilizá-los, procure
reescrevê-los segundo a suas próprias idéias e inspirações;
d) leia a biografia de grandes pregadores do passado, certamente serão de grande inspiração e muito lhe
motivarão;
e) solicite ao seu pastor, professores, e
companheiros da seara, comentários sobre o seu sermão, ouça o que eles têm a
dizer - tais críticas serão sempre
úteis e proveitosas;
f) INTERNET - Através da Internet você poderá ter acesso a muitos materiais, estudos
bíblicos, livros, apostilas, confissões de fé, e às mais diversas versões da
bíblia (Bíblia on-line) - versão NVI, Bíblia em Grego e em Hebraico, além de
informações diversas de cunho teológico, e até mesmo cursos bíblicos on-line.
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Cetai Open University Apoio: CETAI - Centro de Teologia Aplicada Integrada - Cursos
bíblicos teológicos on-line - você pode está cursando de qualquer lugar e a
qualquer momento basta esta conectado a internet, uma ótima opção para quem não
tem tempo para freqüentar uma sala de aula. Oferece cursos livres, de graduação
e pós graduação;
· Site da Comunidade Presbiteriana Shekinah ==>
http://www.comunidadeshekinah.com.br
· Mensagens & Estudos (http://www.comunidadeshekinah.com.br/estudos.htm)
· P a s t o r
a i s (http://www.comunidadeshekinah.com.br/pastorais/pastorais.htm)
· Links Diversos (http://www.comunidadeshekinah.com.br/links.html)
· Curso de Hebraico -
Acesso na página http://www.comunidadeshekinah.com.br/links.html
· Textos da Reforma (http://www.textosdareforma.net/index.shtml)
· Teologia Sistemática (http://www.geocities.com/Athens/5898/Index.html)
· Outro Site de
Teologia Sistemática
(http://geocities.yahoo.com.br/prlaferraz/index.html)
· Homilética - Farto
Material (http://www.terravista.pt/nazare/2190/homiletica.html)
· Exegese -
Ferramentas
(http://www.terravista.pt/nazare/2190/ferramentas.html)
· Ilustrações 1 (http://www.homiletica.hpg.ig.com.br/ilustrada.html)
· Ilustrações 2 (http://www.ejesus.com.br/ilustracoes/index.html)
· Livros Teológicos
(http://teologico.com.br/)
· Mapas Bíblicos (http://www.biblia.page.com.br/mapas.html)
· Inst.Cristão Pesquisas / Revista Em Defesa da Fé (http://www.icp.com.br/)
· Centro de Pesquisas Religiosas (http://www.virtualand.net/cpr/)
· Bíblia em hebraico e
grego / Dicionário p/Download (http://www.angelfire.com/bc/bibliaw/download.htm/)
· Banco de
Estudos Religiosos
(http://www.terravista.pt/Bilene/2810/base/banco.htm)
· Novo Testamento/Versão NVI - Consulta e Download
http://bible.gospelcom.net/bible?version=NVI&passage=all&language=portuguese)
· História das
denominações/teologia - Portal: PREGAI (http://www.pregai.hpg.com.br/principal.html)
· Inst.Pesquisas Teológicas (IPET) (http://www.ipet.com.br/)
· Crescimento Explosivo de Igreja
/ Material para Igreja em Células / Curso Formação Obreiros/Internet (http://www.crescimentoexplosivo.cjb.net/)
· Apologética - Centro Apologético Cristão de
Pesquisas – CACP (http://www.cacp.org.br/)
· Apologética - Centro de Pesquisas
Religiosas – CPR (
http://www.virtualand.com.br/cpr/ )
Informações Sobre o Reformador Martinho
Lutero
· Lutero-1 ( http://www.ieclb.org.br/Lutero.htm )
· Lutero-2
(http://www.ieclbpetropolis.org.br/lutero/default.htm)
· Lutero-3 ( http://www.quadrangular.com/lutero.htm )
· Lutero-4 ( http://www.ielb.org.br/historia/lutero.htm
)
Informações Sobre o Reformador João
Calvino
· Calvino-1
(http://www.geocities.com/Baja/Mesa/3234/index1.htm)
· Calvino-
2
(ttp://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/ideias/2001/08/31/joride20010831010.html
)
· Calvino - 3 ( http://www.facom.ufba.br/hipertexto/calvin.html )
Sites sobre
Missões:
· Janela 10-40 Missões: África (
http://www.africaurgente.com.br/ )
· Missões
- Site: Adote Um Povo - Comibam/AD2000/AMTB/Sepal ( http://www.aup.org/
)
· Site de Busca GOSPEL (
http://www.bussola.cjb.net/ )
· SBB
- Soc Bíblica do Brasil ( http://www.sbb.org.br/ )
Em
nosso site os irmãos poderão encontrar outros links, especialmente sobre o povo
judeu e judeus messiânicos, bem como CURSOS BÍBLICOS PARA UTILIZAÇÃO
EM CÉLULAS DE EVANGELIZAÇÃO,
material sobre “MISSÕES URBANAS”, Apostila: “CURSO BREVE PARA PREGADORES
LEIGOS” e diversos estudos bíblicos sobre teologia reformada. (http://www.comunidadeshekinah.com.br)
VIII - O ESBOÇO DO SERMÃO
“Toda
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” - II Timóteo 3:16-17
“sabendo,
primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular
elucidação; porque nunca, jamais, qualquer profecia foi dada por vontade
humana, entretanto homens [santos] falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito
Santo.” - II Pedro 1:20-21
I - O TEXTO - Significado
do termo: é a
porção bíblica das Escrituras que servirá de inspiração ou base para o sermão.
Nos primórdios da igreja cristã era comum a pregação expositiva ou
explanativa. Os primeiros pregadores discorriam sobre passagens longas,
ocupando-se em explicá-las ou explaná-las. Com o tempo a tendência propendeu
para textos curtos. Já no Século XVII, na Inglaterra, eram comuns sermões
baseados em passagens breves.
Com o passar dos anos, o tempo foi se tornando cada vez mais
escasso, e, consequentemente, o horário reservado para o culto e a pregação foi
sendo reduzido. Ao final do Século XIX, o culto girava em torno de uma hora,
gastando-se com a pregação apenas quinze ou vinte minutos! Nestas circunstâncias
era impraticável se utilizar textos longos, continuando a prevalecer o uso de
textos pequenos. No século XX, com surgimento do movimento carismático e os
cultos pentecostais com maior duração, as pregações voltaram a consumir mais
tempo havendo hoje a tendência a textos mais longos e, novamente, ao uso de
sermão textual ou explanativo.
A pregação é a parte central do culto. É o momento
em que Deus fala ao Seu
povo, através do seu servo profeta (pregador). O conteúdo da pregação e os
ensinos emanados do púlpito devem estar sempre em perfeita harmonia e estrita
sintonia com a Palavra de Deus. O pregador é o intérprete das Escrituras. Desta
forma, a pregação sempre deve se basear em algum texto das Escrituras Sagradas,
até mesmo em caso de sermão temático.
Em se tratando de Palestra ou Estudo Bíblico o apresentador tem a
liberdade de utilizar ou não um texto base.
Dicas sobre a escolha de um
texto:
1) Textos obscuros - só devem ser utilizado se o pregador
tiver plena convicção e certeza de que será capaz de explicá-lo corretamente. É
verdade que atrai as expectativas, porém é necessário torná-lo instrutivo e
útil;
2) Textos espúrios ou apócrifos
a) espúrios - são textos adulterados, falsificados,
degenerados, em relação aos manuscritos originais (grego e hebraico);
b) apócrifos - textos sem autenticidade, ou cuja
autenticidade não está provada - textos não incluídos no Cânon das Escrituras
autênticas e divinamente inspirados. Os livros apócrifos não fazem parte das
versões bíblicas manuseadas pelo cristão evangélico ou protestante. Aparecem,
contudo, na versão de Figueiredo, normalmente utilizada pelos católicos
romanos, e são: 3o e 4o Esdras, Judite,
Tobias, Ester (acréscimos a partir do cap. 10 até o 16); Sabedoria de Salomão,
Eclesiástico, Baruque, Daniel (acréscimos ao livro inspirado), Oração de
Manassés e 1o e 2o Macabeus.
c) exemplos de textos espúrios:
- Na conversão de Saulo - Atos 9:6 e 22:10 as expressões: “Senhor,
que queres que eu faça?” e “Senhor, que farei?”; ainda na versão bíblica ARC,
no verso “5”: “duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” - estas
expressões não constam dos melhores manuscritos;
- A famosa passagem de I João 5:7-8: “o v.7 deveria terminar na palavra
testemunho. O restante do v.7 e parte do v.8 não estão em nenhum manuscrito
grego antigo, mas apenas em manuscritos latinos posteriores.” - Comentários
transcritos das notas de rodapé da Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão;
- O texto de Marcos 16:9-20 - “Estes versículos não aparecem em dois
dos principais manuscritos do Novo /testamento, embora estejam presentes num
grande número de outros manuscritos e versões. Se eles não forem parte genuína
do texto de Marcos, o final abrupto do v.8 deve-se, provavelmente, à parte dos
versículos que formavam a conclusão original. A discutível genuinidade dos vv.
9-20 torna pouco sábio construir uma doutrina ou basear uma experiência sobre
eles (especialmente os vv. 16-18).” - Comentários transcritos das notas de
rodapé da Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão;
3) palavras de pessoas não inspiradas,
registradas na Bíblia –
Devemos tomar muito cuidado e observar bem em que circunstâncias
vamos utilizar palavras ditas por pessoas não inspiradas. Exemplos: Atos
5:38-39 - as palavras de Gamaliel foram adequadas e instrutivas, naquelas
circunstâncias; porém o princípio ali inserido não é totalmente verdadeiro. É
preciso tomar bastante cuidado ao utilizar textos dos livros de Jó,
Eclesiastes, Cantares e também o Livro de Ozéias. É preciso analisar muito bem
os textos que se pretende utilizar, sendo recomendável sempre a consulta a bons
comentários.
Sobre o uso e a interpretação de
textos:
1) interpretações literais e figurativas
- é preciso muita
acuidade na arte de interpretar textos, para não incorrer no erro de dar
sentido literal àquilo que é figurado, e vice-versa;
2) cuidado no uso de textos do velho
testamento - o
V.T. não foi revogado, entretanto, muitas das práticas e ensinos ali exarados
foram modificados no N.T. Ao se utilizar textos do V.T. deve-se procurar
sempre correlacioná-lo a algum outro texto do N.T., e, na medida do possível,
levar o ouvinte a entender que a salvação veio a todos os homens através da
morte de Jesus Cristo na cruz do calvário;
3) o dever de uma interpretação cuidadosa
e exata - O pregador tem
o compromisso com Deus, e com a verdade! Tem o compromisso de interpretar
corretamente o texto a fazer a aplicação de acordo com o seu sentido real.
“Nunca dê a um texto o sentido que você sabe que ele não tem...” - Filipe
Brooks. É preciso tomar cuidado para não ir além daquilo que o texto diz, e
dizer cousas que o autor não disse! O texto precisa ser examinado sempre à luz
do seu contexto bíblico, cultural e histórico. Alguém já disse com sabedoria:
“texto fora do contexto é mero pretexto”!
4) a harmonia dos quatro Evangelhos
(Mateus, Marcos, Lucas e João) - Alguns relatos se repetem nos evangelhos com ligeiras diferenças.
Sempre que se utiliza algum texto de um dos Evangelhos, é preciso verificar se
o relato se repete nos demais Evangelhos, e verificar bem o que diz cada um. É
indispensável ter à mão, para consulta, uma obra intitulada: “A Harmonia dos
Quatro Evangelhos” - existem várias, de diversos autores, disponíveis na praça.
5) Em relação a ética e a doutrina - O doutrinamento de uma igreja compete ao
pastor, ou pastores efetivos. O pregador leigo deve sempre evitar abordagens de
conteúdo doutrinário em suas prédicas, especialmente quando estiver pregando em
outras igrejas que não a sua. É anti-ético, deselegante, e falta de sabedoria,
o pregador visitante enveredar pelo caminho da doutrina, a não ser que tenha
sido previamente convidado e/ou autorizado pelo pastor da igreja a fazê-lo. Em
relação a doutrina, deve observar ainda o seguinte:-
a) nenhuma profecia é de
particular elucidação -
“sabendo, primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de
particular elucidação; porque nunca, jamais, qualquer profecia foi dada por
vontade humana, entretanto homens [santos] falaram da parte de Deus movidos
pelo Espírito Santo.” - II Pedro 1:20-21;
b) não se deve estabelecer
doutrinas em cima de textos isolados, sobretudo em cima de textos extraídos do seu contexto;
c) não se deve estabelecer
doutrinas com base em textos alegóricos ou parabólicos.
6)
ferramentas necessárias para ajuda na interpretação de textos e no preparo de
sermões:
a) diversas versões da Bíblia - Sugestões de versões da Bíblia:-
- Almeida, revista e corrigida (ARC)
- Almeida, revista e atualizada (ARA)
- Bíblia Sagrada - NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)
- Nova Versão Internacional - NVI
- Para quem domina o inglês - Holy Bible, versão de King James;
- Velho Testamento em hebraico e Novo Testamento em Grego, para os
conhecedores destes idiomas.
b) Bíblia de Estudos - Há hoje muitas Bíblias de estudos, como:
De Genebra, de Taylor, Anotada, Vida Nova, Pentecostal, Bíblia de Estudo
Profético, etc. De todas estas eu recomendo a BÍBLIA ANOTADA, a qual contém
ótimos comentários de rodapé. Esta Bíblia vem na versão ARA, e é editada pela
Editora Mundo Cristão.
c) Chave Bíblica - Existem diversas, de diversos autores;
d) Enciclopédia Bíblica - O.S. Boyer
e) Manual Bíblico - Henry H. Halley
f) Dicionário Bíblico - de Davis;
g) A Harmonia dos Quatro Evangelhos - existem diversos, de diversos autores;
h) Comentários bíblicos dos livros do
Velho e do Novo Testamento. Recomendo: O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO e o VELHO TESTAMENTO INTERPRETADO,
Versículo por Versículo - Russell Norman Champlin, Ph.D. - Editora e
Distribuidora Candeias;
i) Livro “Textos De Difícil Interpretação”( Editora Vida? )
j) Livros de Ilustrações - Existem diversos;
l) Livros de Esboços - Recomendo: Guia do Pregador, de S.E.
McNair (04 volumes);
m) Teologia Sistemática - de Berkhof;
n) O Sermão e Seu Preparo - John A. Broadus
IX - Esboço do Sermão
Assunto:
Título ou Tema:
Proposição:
Objetivo:
Introdução ou Exórdio
I)Tópico
I.1 - Sub-tópico
I.2 - Sub-tópico
I.3 - Sub-Tópico
II) Tópico
II.1 - Sub-tópico
II.2 - Sub-tópico
II.3 - Sub-Tópico
III) Tópico
III.1 - Sub-tópico
III.2 - Sub-tópico
III.3 - Sub-Tópico
Conclusão (ou Peroração)
IX.1 - Assunto: O sermão deve sempre ter um assunto. Deve tratar sempre de
alguma cousa, de alguma verdade importante relacionada à vida religiosa.
Pode-se iniciar um sermão a partir do assunto, procurando-se um texto adequado,
ou pode-se iniciar pelo texto, identificando-se alí o assunto principal a ser
abordado. Para identificar o assunto, faça a sí mesmo a seguinte pergunta: - De
que trata o sermão?
Relação do Assunto para com o Texto - a relação do assunto para com o texto
precisa ser clara. Tem que haver relação estreita entre ambos. Não raras vezes
se percebe por parte de pregadores, a utilização de textos que não têm muito ou
nada a ver com o assunto que está sendo abordado. O risco maior ainda é quando
se dá o entendimento errôneo de um texto, e a sua utilização em aplicações
descabidas.
Enunciação do Assunto - “Há sermões que são como navios sem leme em bravo mar,
levados dum lado para outro, sem avançar firme para um ancoradouro.” - Ibid. -
Estabelecer uma idéia central como âmago do sermão nem sempre é fácil,
principalmente em sermões textuais ou expositivos, mas é necessário!
IX.2 - O Título ou tema: O objetivo do título é atrair e interessar o ouvinte. Um
bom título vende um livro! Deve-se tomar cuidado, porque um título mau
escolhido ou inoportuno poderá desinteressar a platéia! A escolha de um bom
título é uma arte que se deve cultivar.
IX.3 - A Proposição: Vimos que o “assunto” responde à pergunta: - De que trata o
sermão? Já a “proposição” responde à pergunta adicional: -- Que sermão?. A
proposição deve conter uma enunciação do assunto que o pregador se propõe a
desenvolver. “A proposição deve estar na forma duma sentença afirmativa
completa, simples, bem clara e convincente, ou irresistível.” - John A.
Broadus. “O discurso é a proposição desenvolvida, e a proposição é o
discurso condensado” - Fénelon. É uma espécie de “tese”, que exige argumentos
para ser provada. É uma verdade a ser explicada! Muito ajuda na preparação do
sermão. Exemplos:-
No sermão “A Vida de Cada Homem é um Plano de Deus”, Horácio
Bushnell apresentou a seguinte proposição:- “A verdade que agora nos propomos
considerar convosco é esta: Deus tem um definido plano de vida para cada
criatura humana, dotando-a, visível ou invisivelmente, para levar a cabo isso
que será a verdadeira significação e glória de sua vida.” O sermão de Bushnell
sobre “A Influência Inconsciente” tem por proposição: “Assim por certo os
homens estão sempre inconscientemente tocando as molas que movimentam outras
pessoas, (de modo que) um homem sem o pensar e intencionalmente, e mesmo sem
ter consciência disso, está sempre arrastando após si algum outro.” Proposição
de Filipe Brooks no seu sermão sobre “A Luz do Mundo”: “A alma humana traz
consigo as mais elevadas possibilidades, e o que Cristo faz por ela é
justamente isto -- atear e provocar essas possibilidades para uma existência
real.” GG Atkins, no sermão tendo por texto o Salmo 119:109; título - Artífices
da Alma - proposição: “Num sentido real temos nossas almas em nossas mãos, como
o artífice tem nas suas o material com que trabalha; e a nossa tarefa principal
é amoldá-las de maneira criadora para elevado uso e finalidades duradouras.” H.
E. Fosdick - texto Filem. 4:22; título - Cristão a Despeito de Tudo;
proposição: “O cristianismo significa essencialmente vitória espiritual em face
de circunstâncias hostis.”
IX.4 - O Objetivo: Tem a ver com as desejadas finalidades do sermão, e com o
caráter e conduta dos ouvintes. Vimos que o “assunto” responde a pergunta: - De
que trata o sermão? A “proposição” responde à pergunta adicional: -- Que
sermão?. Já o “objeto ou objetivo” responde a pergunta: -- O que se pretende
com este sermão? O objetivo define a aplicação que se pretende fazer. O alvo
que se quer atingir. Descreve a finalidade do sermão e a reação que se espera
dos ouvintes. Ao nos falar Deus uma Palavra, Ele tem um propósito, um alvo! A
Palavra produzirá no ouvinte reações relacionadas a: salvação, reconciliação,
obediência, fidelidade, despertamento, serviço, etc. Da mesma forma os sermões,
precisam ser claros e bem definidos quanto aos objetivos que se pretende
atingir, quanto aos resultados que se espera.
Introdução ou Exórdio: Tem dois objetivos capitais:
(1) interessar nossos ouvintes no assunto e
(2) prepará-los para que o entendam.
A introdução é a passagem gradual e serena para o sermão
propriamente dito, para a argumentação, para a mensagem. Não deve ser longa
demais e deve ser proporcional ao tempo total do sermão. Deve-se tomar cuidado
para não se antecipar na introdução algo que pertence ao corpo do sermão. Uma
boa ilustração poderá ter lugar na introdução e ajudar muito na passagem para o
assunto da pregação. A introdução deverá ter um único tópico, não cabendo
divisões ou subdivisões, e incluir uma única idéia. Não deve incluir uma idéia
muito larga, abrangente demais... Também não deve prometer demais! Também não
deve conter argumentação nem matéria emotiva. Se o pregador antes mesmo de
pregar já está emocionado, deve conter-se, pois pode ser que o auditório ainda
não esteja. Finalmente, deve-se evitar na introdução qualquer cousa que cheire
à exibição. Deve iniciar o seu sermão de maneira bastante simples e modesta.
Sugiro que antes de começar a preparar o seu sermão, você escreva e coloque
diante de você as seguintes sentenças: - (1) PRECISO ESTAR BEM SEGURO DE COMO
VOU INICIAR; (2) PRECISO ESTAR SEGURO E CERTO DE COMO VOU TERMINAR!
- fontes de inspiração para a introdução
o texto - sempre que o significado do texto exija explanação, esta
pode vir a se constituir na introdução; pode-se inserir na introdução: -
informações históricas ou geográficas, ou detalhes culturais sobre hábitos e
costumes da época; dados sobre o autor do texto; informações sobre o público
original a quem as palavras do texto foram dirigidas, etc.;
examinando o assunto a ser tratado - qual foi a sua definição para o assunto?
Leia novamente e pense em como introduzi-lo, de forma suave a fim de interessar
a platéia e preparar ou ouvintes para o que você vai dizer.
a ocasião (ou tema geral da reunião, culto, seminário ou
congresso) -
se o sermão será pregado em uma ocasião especial pode-se na introdução citar
aquele evento como uma ótima oportunidade para se refletir sobre... e então
passa-se a mensagem. Cerimônias como: aniversários, bodas, formaturas,
etc. fornecem sempre boa inspiração para a introdução. Pode-se também
aproveitar na introdução aludir a algum hino que acabou de ser cantado ou a
algum outro texto bíblico lido ocasionalmente. Deve-se evitar: escusas ou
defesas, porque podem induzir a suspeitas e julgamentos sobre a sinceridade do
pregador, prejudicando assim a boa receptividade à sua prédica. O pregador deve
evitar dizer que “foi apanhado de surpresa...”; “que não estava preparado...”;
“que não se sente a altura para tamanha responsabilidade...”, ou que se “sente
embaraçado” por tais e tais motivos... A impressão que poderá passar para a
platéia poderá ser desastrosa. Procure transformar cousas negativas em fatos
positivos... Procure mostrar sempre que você está ali pela vontade de Deus e
que tem algo muito importante para dizer-lhes!
IX.6 - Os Tópicos do Sermão (=Discussão, Tratamento, ou
Corpo do Sermão): O sermão precisa ter Princípio, meio e fim. É preciso
haver uma concatenação lógica das idéias e que os tópicos estejam
co-relacionados entre si, e que se mantenham dentro do tema do sermão. O uso
das divisões visa aclarar a argumentação para os ouvintes, mas também ajuda o
pregador no preparo e apresentação do seu discurso. É sempre recomendável que
haja divisões no sermão, e que estas sejam preparadas previamente. Quando não
há divisões, o pregador corre o risco de “desviar” do assunto da mensagem, de
ficar dando “voltas”, e sem saber como concluir a sua pregação.
- quanto ao número de Divisões(Tópicos) e de Sub-Divisões
(Sub-Tópicos): - dependerá sempre da inspiração e da sensibilidade de cada um.
Julgo recomendável ao pregador principiante trabalhar sempre que possível com
sermões de dois ou três tópicos, tendo ou não sub-tópicos. Em havendo
sub-tópicos, trabalhar com dois ou três sub-tópicos no máximo. O uso de
numerosas divisões e sub-divisões dificultará a memorização por parte do
público ouvinte. A tendência maior sempre foi para o sermão de três tópicos,
por proporcionarem ao sermão boa variedade, não desviarem a atenção e nem
sobrecarregarem a memória. O número três nos dá a idéia de cousa completa -
início, meio e fim. Nas Escrituras, como ênfase e para provocar maior
impressão, usa-se muito expressões triplas: “santo, santo, santo”; “ao que era,
que é, e que será...”; “pedi, buscai, batei...”; “boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.” Alguns exemplos de sermões de três tópicos: texto: “E não vos
conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” -
Romanos 12:2 - Título: A vontade de Deus: 1) é boa 2) é agradável 3) é perfeita;
texto: “Respondeu-lhes Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém
vem ao Pai senão por mim.” - João 14:6 - título: Só Jesus Nos Pode Conduzir a
Deus - Ele é: 1) O Caminho; 2) A Verdade; 3) A Vida.
- O que devem tratar as Divisões (Tópicos) e Sub-Divisões
(Sub-Tópicos): - devem tratar exaustivamente da proposição, ou do assunto
proposto. Devem ser distintas e simétricas. Horácio recomenda: “...as divisões
devem todas manter a mesma qualidade de relação para com o assunto proposto.” As
considerações negativas devem sempre preceder às positivas. E, na distribuição
do tempo, deve-se gastar menos tempo com os aspectos negativos e mais com os
positivos, com a verdade que se quer enfatizar. Quanto à citação ou não dos
títulos das divisões, fica à critério da sensibilidade do pregador. Há ocasiões
em que é recomendável citar, outras em que é plenamente dispensável. É
recomendável a citação: 1) quando a linha de pensamento é pesada, ou difícil, e
o anúncio das divisões ajudará o ouvinte a segui-la; 2) quando se quiser que os
ouvintes lembrem os sucessivos passos da exposição ou argumentação; 3) quando
entendermos que a enunciação delas despertará interesse e atenção ao
invés de diminuí-los. Há ocasiões em que ao invés do anúncio prévio das divisões
é melhor recapitulá-las ao final, para maior memorização. Ou até mesmo empregar
os dois métodos.
IX.7 - A Conclusão (ou Peroração) - Todas as partes do sermão
são importantes e merecem total atenção e cuidados, especialmente a conclusão!
É a hora de se fazer a aplicação da mensagem, cujo objetivo é o de produzir no
coração do ouvinte uma reação positiva à palavra ouvida. A conclusão é como a
batalha final que decidirá a guerra, exige o máximo de atenção, empenho e
esforço! Muitas vezes se constitue no melhor momento da pregação, por isso
é importante que antes de começar o sermão o pregador já tenha muito bem
elaborado plano da sua conclusão. Me permita comparar o sermão e a conclusão
com a minha primeira viagem turística à Israel. Ao iniciar o roteiro daquele
dia, a nossa líder espiritual falou pelo microfone do ônibus, mais ou menos o
seguinte: - nosso roteiro para hoje é o seguinte:- vamos ao Monte Carmelo,
local provável onde Elias derrotou os 450 profetas de baal, vamos conhecer o
Vale do Armagedon onde se travará a grande batalha final prevista no
Apocalipse, vamos a Cafarnaum local provável onde Jesus curou o paralítico
descido pelo telhado (Mc 2), visitaremos uma antiga sinagoga do tempo de
Jesus e teremos uma preleção no Monte das Bem-Aventuranças, local
provável da multiplicação dos pães e peixes; atravessaremos de barco o mar da
Galiléia rumo a outra margem na cidade de Tiberíades; e, já à tardinha,
partiremos rumo à Jerusalém, a Cidade Santa, a Cidade do Grande Rei - iremos ao
alto do Monte Scopus, do lado de fora dos muros, local que possibilita a melhor
vista da cidade, e de onde veremos a linda cidade antes de adentrar pelos seus
portais... Então seguiu-se o roteiro... A bênção fluía abundantemente em cada
local e muito nos sentíamos edificados, até que de repente, em meio à estrada a
nossa líder pediu silêncio a todos, e disse: - prepare o seu coração porque
dentro de alguns minutos já começaremos a visualizar a cidade de Jerusalém! E,
daí a pouco, chegamos ao local referido, cantando “Jerusalém”, saltamos do
ônibus e numa grande unção e quebrantamento não tínhamos palavras para
expressar o que nossos olhos viam e nem o que podíamos sentir em nossos
corações... Ali encerrou-se, naquele dia, o nosso roteiro! Não poderia ter sido
melhor, e também não seria recomendável que fosse feito ao inverso! É
claro que eu me lembro de todo o roteiro, mas não me esquecerei jamais da
conclusão! Lembro que eu olhava para nossa líder e podia vê-la lá num cantinho
apreciando aquela belíssima cena de ver todo o povo se deleitando na presença
do Senhor. Assim deve ser a peroração, deve reunir as várias idéias e
impressões da mensagem para um impacto final sobre o espírito e a emoção dos
ouvintes. A conclusão oferece ao orador a oportunidade suprema. Se bem
estudada, elaborada e aplicada, poderá se constituir no climax do sermão.
Quando a conclusão se evidencia na mente do pregador, já na hora em que está
iniciando o preparo do seu sermão, sem dúvida a conclusão ajudará muito na
composição e elaboração dos tópicos. A inspiração para a elaboração da
conclusão poderá vir de diversas fontes:- do tema; do assunto; da introdução;
dos tópicos; do exame do texto básico ou dos textos paralelos; ou até mesmo a
ocasião ou tema da reunião. O objetivo da conclusão é levar o tratamento do
assunto a um final adequado, relacionando de forma esperançosa e permanente a
verdade à vida deles, e lançando abertamente sobre os ouvintes a
responsabilidade no “agir”. A conclusão deve ser a finalização natural e
apropriada do tratamento, ou discussão do assunto. Deverá parecer aos ouvintes
a cousa inevitável a ser dita, o fim lógico dos argumentos apresentados, uma
proposta digna à luz dos argumentos da Palavra de Deus. Deve haver verdadeira
ligação e harmonia entre a discussão e a conclusão, de forma que a conclusão
surja de forma espontânea e natural como complemento às expressões:-
“portanto...”; “assim sendo...”; “consequentemente...”; “então...”; “por
certo...”; “desta forma...”; “urge portanto...”; etc. Não se deve
terminar de forma abrupta o sermão; a conclusão é a forma elegante e educada de
se terminar um sermão.
- espécies de peroração (ou sugestões): - Um dos métodos
largamente utilizados é o da recapitulação, principalmente quando a pregação
tem por proposta apresentar “princípios”, “fundamentos”, “passos” ou “caminhos”
para...
Exemplo: naquela passagem do Homem da Mão Ressequida, poderíamos
apresentar o seguinte sermão:
Assunto: evangelização e livramento
Título: “Os Passos Para a Vitória” - Proposição: levar o ouvinte a
crer que se der os mesmos passos de fé que aquele homem, poderá hoje obter a
salvação para a sua alma e a vitória em Cristo.
Introdução: a situação de incapacidade daquele homem era triste e
dolorosa... Jesus ordenou que ele desse três passos de fé que lhe propiciaram a
cura maravilhosa e a sua vitória. Vejamos quais são estes passos que também
hoje você deve dar para obter em Cristo a Salvação e a sua vitória:-
Jesus disse ao paralítico:-
1) “Levanta-Te”
2) “...vem
para o meio”
3) “Estende
a mão”
Conclusão:Da mesma forma que Jesus
entrou ali na sinagoga para curar aquele homem, Ele está hoje aqui para salvar
a sua alma, te dar livramento e vitória. A tua vitória é hoje possível em
Cristo, basta que você dê os três passos de fé:
1) Levanta-te (saia do lugar e venha a Cristo agora! Não fique
indiferente!
2) Vem para o meio (isto é, vem a Cristo - não tenha vergonha);
3) Estende a mão (a salvação é pela fé - tome posse da tua vitória
pela fé).
Cuidado, a recapitulação visa levar o ouvinte a “reviver” as
partes e não a repetir todo o discurso!
A conclusão pode conter: recapitulação, resumo, conselhos
práticos, aplicação (contextualização) ou apelo. Muitas vezes a aplicação é
feita em cada parte ou tópico do sermão, cabendo na conclusão apenas uma
ênfase, ou exortação final. Os sermões dos apóstolos e dos profetas terminavam
em fortes e vibrantes apelos. A conclusão é sempre uma ótima oportunidade para
se convidar pessoas não evangélicas a confessarem publicamente a sua fé em
Cristo; também para que os “desviados” se reconciliem com o Senhor e com a
Igreja; para que os crentes em Cristo “consagrarem” mais suas vidas à serviços
do Senhor e do seu reino; e para se chamar à frente os enfermos e problemáticos
a fim de que recebam do corpo de obreiros da igreja orações e ministrações para
livramento e vitória.
r.Edemar
Vitorino da Silva
Bibliografia:
- Sermão e Seu Preparo - John A. Broadus
- Bíblia, Almeida, revista e atualizada (ARA)
- Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão.
- Livros Guia do Pregador, de S.E. McNair (04 volumes); |