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Arminisanismo X
Calvinismo
Um dos mais excitantes sinais do nosso tempo é o
crescente interesse pelo estudo da Palavra de Deus e da Teologia Bíblica da
Reforma. Ao invés de preferirem a literatura mundana de seus pais, muitos
jovens estão lendo hoje livros tais como "A Escravidão da Vontade",
de Martinho Lutero, e as "Institutas", de João Calvino. Na medida em
que lêem e comparam a Teologia dos Reformadores Protestantes com suas Bíblias,
começam a perceber que muito da teologia do evangelismo contemporâneo tem
negligenciado a graça, e tem dado ênfase às obras da carne. Se eles forem além
e estudarem a história da Teologia, aprenderão também que a doutrina da maioria
das igrejas "evangélicas", hoje, é a teologia humanista de Erasmo, de
Roma. É neste ponto que eles
começarão a perceber, exatamente, por que Fundamentalistas e Liberais,
Protestantes e Católicos, Episcopais e Pentecostais podem trabalhar lado a
lado, nas maiores cruzadas de reavivamento do século vinte. Aquilo que estas
igrejas sustentam, em comum, é a exaltada doutrina a respeito do homem esposada
por Erasmo, e sagacissimamente definida por Arminius, tornada popular por
Wesley e, finalmente, polida por muitos psicólogos cristãos do nosso tempo.
Estranho como possa parecer, há muitos hoje que
insistem, dizendo que crêem na salvação pela graça, contudo insistem também em
que o homem tem o poder de "tomar a decisão por Cristo". Argumentam,
dizendo que "Deus ama a todos igualmente e do mesmo modo", porém
estão certos de que Ele está mandando algumas pessoas para o inferno. Afirmam
que a Bíblia ensina que o Criador de todas as coisas, certamente, é onipotente,
mas estão igualmente convencidos de que o homem finito é plenamente capaz de
obstruir a vontade de Deus. Em quase todos os casos, o problema está no fato de
estas estimadas pessoas não conhecerem a doutrina bíblica. Elas não têm ouvido
dos púlpitos de suas igrejas coisa alguma senão algo a respeito do plano da
salvação e sumários sermões doutrinários que informam esse plano! Se lhes pedíssemos
que explicassem o significado de doutrinas tais como redenção, propiciação,
reconciliação, remissão e expiação, essas pessoas se limitariam a murmurar
trivialidades ou ficariam simplesmente sem ter o que dizer. Por quê?
Simplesmente porque nunca foram ensinadas, nem tiveram o vigor espiritual
necessário para, por si mesmas, descobrirem o que é que as Escrituras ensinam a
respeito da obra de Cristo. Há, porém, uma coisa que elas sustentam em comum: A
convicção de que o homem pode usar sua própria vontade positiva para aceitar a
Cristo e garantir, por si mesmo, "sua salvação".
Muitos batistas, que pensam ser anti-calvinistas, não
estão cientes do fato de que um dos seus maiores pregadores - Charles Haddon
Spurgeon - foi um sólido defensor dos cinco pontos do Calvinismo. Este pregador
de língua de ouro disse:
"As velhas verdades que
Calvino pregou, que Agostinho pregou, que Paulo pregou são as verdades que eu
devo pregar hoje, ou, de outro modo, serei falso à minha consciência e ao meu
Deus. Eu não posso fabricar a verdade. Eu nada sei a respeito de como abrandar
as ásperas arestas de uma doutrina. O Evangelho de João Knox é o
meu Evangelho. Aquele
Evangelho que ribombou através da Escócia deve ribombar através da Inglaterra
outra vez."
Através da História, muitos dos grandes evangelistas,
missionários e vigorosos teólogos sustentaram as preciosas doutrinas da graça,
conhecidas como Calvinismo. Por exemplo, William Carey enfatizou solidamente a
predestinação, mas não hesitou em chamar o homem ao arrependimento de seus
pecados e a confiar
em
Cristo. A soberania de Deus e a responsabilidade do homem em
crer na Palavra de Deus não são doutrinas absolutamente incompatíveis. Uma vez
que os ensinos básicos do Calvinismo sejam corretamente compreendidos, o coração
se aquece e a urgência de partilhar o Evangelho com outros torna-se quase
irresistível. Burns, da China, M’Cheyne, Whitfield, Brainerd, Bonar, Lutero,
Knox, Latimer, Tyndale, Rutherford, Bunyan, Goodwin, Owen, Watson, Watts,
Newton, Hodge, Warfield e Pink são apenas uns poucos gigantes do púlpito, cujas
pregações brilharam com a doutrina da graça soberana. Todos eles proclamaram um
fervente amém às seguintes palavras de Spurgeon:
"Deleito-me em proclamar
estas velhas e fortes doutrinas apelidadas de Calvinismo, porque são certa e
seguramente a verdade revelada por Deus, como ela está
em Jesus Cristo."
"OS CINCO PONTOS DO
ARMINIANISMO"
Um teólogo holandês chamado Jacob Hermann, que viveu
de
1560 a
1609, era melhor conhecido pela forma latinizada de seu último nome, Arminius. Ainda que educado na tradição
reformada, ele se inclinou para as doutrinas humanistas de Erasmo, porque tinha
sérias dúvidas a respeito da graça soberana(de Deus), como era ensinada pelos Reformadores. Seus discípulos, chamados
arminianos ou sectários de Aminius, disseminaram
o ensino de seu mestre. Alguns anos depois da morte de Arminius, eles formularam sua doutrina em cinco pontos
principais, conhecidos como Os Cinco
Pontos do Arminianismo.
Pelo fato de as igrejas dos Países Baixos, em comum
com as principais Igrejas Protestantes da Europa, subscreverem as Doutrinas
Reformadas da Bélgica e as Confissões de Heidelberg, os Arminianos resolveram
fazer uma representação ao Parlamento Holandês. Este protesto contra a Fé
Reformada, cuidadosamente escrito, foi submetido ao Estado da Holanda, e, em
1618, um Sínodo Nacional da Igreja reuniu-se em Dort para examinar os ensinos
de Arminius à luz das Escrituras. Depois de 154 calorosas sessões, que
consumiram sete meses, Os Cinco Pontos do
Arminianismo foram considerados contrários ao ensino das Escrituras e
declarados heréticos. Ao mesmo tempo, os teólogos reafirmaram a posição
sustentada pelos Reformadores Protestantes como consistente com as Escrituras,
e formularam aquilo que é hoje conhecido como Os Cinco Pontos do Calvinismo (em honra do grande teólogo francês,
João Calvino).
Ao longo dos anos, a estudada resposta do Sínodo de
Dort às heresias arminianas tem sido apresentada na forma de um acróstico
formado pela palavra TULIP. Daí o nome deste pequeno livro. Os
Cinco Pontos do Calvinismo são:
T - Total Depravity - Depravação Total
U - Unconditional Election -
Eleição Incondicional
L - Limited Atonement - Expiação Limitada
I - Irresistible Grace - Graça Irresistível
P - Perseverance of Saints - Perseverança dos Santos
Uma vez que vamos examinar, pormenorizadamente, aquilo
que os teólogos reformados de Dort querem dizer com os Cinco Pontos do Calvinismo, retro referidos, consideremos primeiro,
sumariamente, os Cinco Pontos do Arminianismo.
1 - Vontade Livre. O
primeiro ponto do Arminianismo sustenta que o homem é dotado de vontade livre. Os Reformadores
reconhecem que o homem foi dotado de vontade
livre, mas concordam com a tese de Lutero - defendida em sua obra A Escravidão da Vontade - , de que o
homem não está livre da escravidão a Satanás. Arminius acreditava que a queda
do homem não foi total, e sustentou que, no homem, restou bem suficientemente
capaz de habilitá-lo a querer aceitar Cristo como Salvador.
2 - Eleição Condicional. Arminius
ensinava também que a eleição estava baseada no pré-conhecimento de Deus em
relação àquele que deve crer. Em outras palavras, o ato de fé, por parte do homem, é a condição para ele ser eleito
para a vida eterna, uma vez que Deus previu que ele exerceria livremente a sua vontade, num ato de
volição positiva para com Cristo.
3 - Expiação Universal. Conquanto
a ulterior convicção de Arminius fosse a de que Deus ama a todos, de que Cristo
morreu por todos e de que o Pai não quer que ninguém se perca, ele e seus seguidores
sustentam que a redenção (usada casualmente como sinônimo de expiação) é geral.
Em outras palavras: A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos
os homens. Contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo.
4 - A Graça Pode Ser Impedida. O
arminiano, em seguida, crê que uma vez que Deus quer que todos os homens sejam
salvos, Ele envia seu Santo Espírito para atrair todos os homens a Cristo. Contudo,
desde que o homem goza de vontade livre absoluta,
ele pode resistir à vontade de Deus em relação à sua própria vida. (A ordem
arminiana sustenta que, primeiro, o homem exerce sua própria vontade e só
depois nasce de novo.) Ainda que o arminiano creia que Deus é onipotente,
insiste em que a vontade de Deus, em salvar a todos os homens, pode ser
frustrada pela finita vontade do homem como indivíduo.
5 - O Homem Pode Cair da Graça.. O
quinto ponto do Arminianismo é a conseqüência lógica das precedentes posições
do seu sistema. O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a
querer ser salvo.
O CONTRASTE
Quando contrastamos estes Cinco Pontos do Arminianismo
com o acróstico TULIP, que forma os
Cinco Pontos do Calvinismo, torna-se claro que os cinco pontos deste são
diametralmente opostos aos daquele. Para que possamos ver claramente as
"linhas de batalha" traçadas pelas afiadas mentes de ambos os lados,
comecemos por fazer um breve contraste entre as duas posições à base de ponto
por ponto.
Ponto 1
O Arminianismo
diz que a vontade do homem é "livre" para escolher, ou a Palavra de
Deus, ou a palavra de Satanás. A Salvação, portanto, depende da obra de sua fé.
O Calvinismo responde
que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é
totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se),
dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.
Ponto2
Arminius sustentava que a
"eleição" é condicional, enquanto
os Reformadores sustentavam que ela é incondicional.Os Arminianos acreditam que Deus elegeu àqueles a quem
"pré-conheceu", sabendo que aceitariam a salvação, de modo que o
pré-conhecimento (de Deus) estava baseado na condição estabelecida pelo homem.
Os Calvinistas
sustentam que o pré-conhecimento de
Deus está baseado no propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não
está baseada em alguma condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da
livre vontade do Criador à parte de qualquer obra de fé do homem
espiritualmente morto.
Dever-se-á notar ainda que a segunda posição de cada
um destes partidos (Arminianos e Calvinistas) é expressão natural de suas
respectivas doutrinas a respeito do homem. Se o homem tem "vontade
livre", e não é escravo nem de Satanás nem do pecado, então ele é capaz de
criar a condição pela qual Deus pode
elegê-lo e salvá-lo. Contudo, se o homem não tem vontade livre, mas, na sua
situação atual, é escravo de Satanás e do pecado, então sua única esperança é
que Deus o tenha escolhido por sua
livre vontade e o tenha elegido para a salvação.
Ponto 3
Os Arminianos
insistem em que a Expiação (e, por
esta palavra, eles significam "redenção") é universal. Os Calvinistas, por sua vez, insistem em
que a Redenção é parcial, isto é, a Expiação Limitada é feita por Cristo na
cruz.
1. Segundo o Arminianismo,Cristo morreu para salvar não um em
particular, porém somente àqueles que exercem sua vontade livre e aceitam o
oferecimento de vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um fracasso parcial,
uma vez que os que têm volição negativa, isto é, os que não a querem aceitar,
irão para o inferno.
2. Para o Calvinismo,Cristo morreu para salvar pessoas
determinadas, que lhe foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua
morte, portanto, foi cem por cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos
quais ele não morreu receberão a "justiça" de Deus, quando forem
lançados no inferno.
Ponto 4
Os Arminianos
afirmam que, ainda que o Espírito Santo procure levar todos os homens a Cristo
(uma vez que Deus ama a toda a humanidade e deseja salvar a todos os homens), ainda
assim, como a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem, o Espírito (de
Deus) pode ser resistido pelo homem, se o homem assim o quiser. Desde que só o
homem pode determinar se quer ou não ser salvo, é evidente que Deus, pelo
menos, "permite" ao homem obstruir sua santa vontade. Assim, Deus se
mostra impotente em face da vontade do homem, de modo que a criatura pode ser como Deus, exatamente como Satanás
prometeu a Eva, no jardim (do Éden).
Os Calvinistas
respondem que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível Os Calvinistas não
querem significar com isto que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um
gigantesco rolo compressor! A graça
irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser
assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido comoRegeneração. Desde que todos os
espíritos mortos (= alienados de
Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (= regenerados) são guiados irresistivelmente
para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá aos seus
escolhidos o Espírito de Vida. No momento
em que Deus age nos eleitos,
a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e
pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e
orientados para Deus.
É neste
ponto que aparece outra grande diferença entre a Teologia Arminiana e a
Teologia Calvinista. Para os Calvinistas, a ordem é: primeiro o dom da vida,
por parte de Deus, e, depois, a fé salvadora, por parte do homem.
Ponto 5
Os Arminianos
concluem, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria
vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode
também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para
com Cristo, rejeitando-o! (Alguns Arminianos acrescentariam que o homem pode
perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a
Teologia Arminiana é uma "teologia de obras" - pelo menos no sentido
e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser
salvo.) Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de
"queda (ou perda) da graça", pelos seguidores de Arminius. Ainda, se
depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se
livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se dos seus pecados, "pode
ser salva de novo". Tudo depende de sua contínua volição positiva até à
morte!
Os Calvinistas
sustentam muito simplesmente que a Salvação, desde que é obra realizada
inteiramente pelo Senhor - e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente,
"para ser salvo" -, é óbvio que o "permanecer salvo" é,
também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar.
Os
eleitos
"perseverarão" pela simples razão de que Deus prometeu completar, em
nós, a obra que Ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos Santos.
A VONTADE DE DEUS
Com base nas Santas Escrituras, comecemos nossa
comparação dos Cinco Pontos do Arminianismo com os Cinco Pontos do Calvinismo, estabelecendo a base bíblica a respeito
da vontade e dos decretos de Deus. Quando
falamos da vontade de Deus (= Jeová), queremos dizer que ela não é senão
expressão do seu Ser onipotente e onisciente. Se Ele é onipotente, como o
atestam as Escrituras, Ele realizará tudo o que está incluído nos seus propósitos, e, se Ele é onisciente,
não cometerá erros no seu plano original, nem terá necessidade de alterar o seu
propósito original:
"... diz o Senhor que faz estas coisas conhecidas
desde séculos" (At 15.18).
Como afirmou Benjamin Warfield, cuidadosamente:
"Na infinita sabedoria do Senhor de toda a terra, cada evento se realiza
com precisão no seu próprio lugar, no desdobramento do seu plano divino. Nada,
por pequeno e estranho que seja, ocorre sem estar prescrito, ou em sua
particular adequação ao seu lugar, na realização do seu propósito; no fim de
tudo, será manifestada a sua glória e aumentado o seu louvor. Esta é a
filosofia do Universo, tanto no Velho como no Novo Testamentos, uma visão do
mundo que alcança unidade num absoluto decreto, ou propósito, ou plano do qual
tudo o que acontece é apenas o seu desdobramento no tempo."
Portanto, como veremos, o que quer que aconteça na
história da humanidade, acontece em virtude do fato de estar de acordo com o
eterno plano ou propósito de Deus. Se alguma coisa deve ocorrer contra a
vontade de Deus, porque na opinião da criatura finita "é boa", então
Satanás e o homem, pelo menos ocasionalmente, devem ser iguais ou superiores ao
Criador, cuja palavra sustenta que Ele é onipotente e totalmente irresistível! Por
outro lado, se a vontade determinante de Deus reflete a imutável natureza do
seu Ser, ela não pode nem ser obstruída nem anulada. Portanto, o que quer que
venha a ocorrer em qualquer parte da criação, e em qualquer tempo da história,
ocorre porque o Deus onisciente conheceu o fato como uma possibilidade,
desejou-o como uma realidade, por sua onipotência, e estabeleceu-o no seu plano
ou propósito.
Veremos, mais adiante, que não há conflito entre as
poderosas obras que manifestam sua santidade, justiça e juízo, e as gloriosas
obras que revelam sua graça, amor e perdão. À luz de toda a Escritura, Deus será visto de modo perfeitamente
consistente tanto quando condena uns, como quando perdoa outros; tanto quando
revela seu soberano juízo e justiça sobre os pecadores que não se arrependem,
como quando declara sua graça soberana, perdoando livremente àqueles que
escolheu "
em Cristo
Jesus", antes da fundação do mundo. Como o único Agente
genuinamente livre, em toda a eternidade, que não é influenciado por nenhuma
criatura ou força externa, só Ele, o Senhor da Glória, pode dizer
desafiantemente:
"...Terei misericórdia de quem me aprouver ter
misericórdia, e me compadecerei de quem me aprouver ter compaixão" (Rm 9:15).
Como o único Ser, no tempo e na eternidade, com
absoluta liberdade de querer as coisas como Ele as vê, Deus traçou um plano que
inclui tanto a eleição como a reprovação. Paulo diz:
"E não ela somente, mas também Rebeca ao conceber
de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham
praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus quanto à eleição
prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já lhe fora dito a ela:
O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a Jacó, porém me
aborreci de Esaú" (Rm 9:10-13).
Em outras palavras: Sem levar em conta o bem ou o mal
em relação aos dois homens (Jacó e Esaú), Deus fez de Jacó o objeto do seu amor
e Esaú o objeto de sua ira. Por quê? Para que seu propósito ou Plano Divino, de
acordo com a eleição (ou escolha de pessoas ou eventos que realizam sua
vontade), "ficasse firme". O Deus das Escrituras não se desculpa pelo
fato de ter determinado deixar a maioria dos homens passar a eternidade sob o
seu juízo, dando-lhes exatamente aquilo que merecem, ao mesmo tempo em que,
também, determinou ordenar para a salvação alguns que, igualmente, são
merecedores do juízo, porque é do seu agrado agir assim para mostrar sua
natureza de graça, misericórdia e amor na presença dos anjos eleitos. Paulo
pôde dizer:
"... porque Deus não nos
destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus
Cristo" (I Ts 5: 9).
Cristo, na verdade, é um escândalo para os não-regenerados,
e o seria também para todos os homens, se Deus não tivesse escolhido e
regenerado alguns dentre eles, levando-os ao arrependimento e dotando-os de fé
em sua Palavra. Pedro
diz que o Salvador é:
"Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os
que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram
postos" (I Pe 2:8).
Neste texto, Pedro usa a mesma palavra grega que
significa "ordenados" ou "estabelecidos", e que Paulo
emprega quando diz que nós, ao contrário, "não fomos ordenados" à ira
e à descrença. Quando o apóstolo Paulo deseja mostrar como Deus ordenou uns
para a salvação, sem levar em conta quaisquer qualidades de bem que tivessem
feito, e, ao contrário, quando deseja mostrar que Deus ordenou outros para a
condenação, diz:
"Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo
te levantei, para mostrar em tio meu poder, e para que o meu nome seja
anunciado por toda a terra" (Rm 9:17).
Em outras palavras, quando Deus precisou de alguém
para executar o seu plano - alguém que resistisse à sua Palavra e perseguisse a
Israel e o matasse; escolheu a Faraó. Dentre os milhões de espermatozóides que
poderiam ter fecundado o ovo preparado da mãe de Faraó, Deus determinou que um
fecundasse e se tornasse rei do Egito. Esse indivíduo, em particular, perfeitamente
preparado para a tarefa de levar a bom termo aqueles feitos que fizeram
cumprir-se, perfeitamente, o propósito de Deus naquele admirável momento
histórico. Para levar adiante o seu plano, Deus não precisou fazer Faraó agir
contra sua própria natureza. Ele apenas usou a pessoa que tinha todos os
ingredientes necessários com os quais responderia positivamente ao
"príncipe do poder do ar" e, ao mesmo tempo, realizaria o propósito
divino estabelecido desde toda a eternidade! Isto não é senão a enunciação do
princípio, que diz:
"Pois até a ira do homem há de louvar-te..."(SI 76:10).
Antes de ter lançado os fundamentos do céu e da terra,
o Criador determinou que cada criatura e cada ato da história seria para a sua
glória e honra, e não para a glória e honra de outro. Ele determinou também que
"ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da
terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor para a glória de Deus
Pai" (Fp 2:10-11).
Além disso, àqueles que se recusam a aceitar o eterno
decreto de Deus, Paulo escreve:
"Quem és tu, ó homem,
para discutires com Deus? Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por
que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para, do mesmo
barro, fazer um vaso para honra e outro para desonra? Que diremos, pois, se
Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com
muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que
também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia, que
para a glória preparou de antemão...?" (Rm 9:20-23).
Em suma, o Divino Oleiro determinou que algumas de
suas criaturas fossem preparadas ou "escolhidas" para serem vasos de
desonra, cujo fim seria o castigo eterno. Outras, feitas do mesmo barro, foram
predestinadas a serem vasos apropriados para dar glória ao seu nome, e
ordenadas para gozar a eternidade na alegria dos céus. Oh, Deus meu! Se Paulo
estivesse pregando uma tal mensagem numa boa parte de púlpitos
"evangélicos" hoje, haveria uma reunião incontinente do Conselho de
Oficiais da Igreja, e o pregador seria expulso antes mesmo de eles saírem para
o almoço! Não admira, pois, que a Escritura diga:
"Porque os meus
pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus
caminhos, diz o Senhor, porque assim como os céus são mais altos do que a
terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os
meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55:8-9).
Certamente, o caminho de Deus não é o caminho
"que parece certo ao homem". Contudo, lembremo-nos, o caminho que
parece muito certo à razão do homem é, na verdade, o caminho de Satanás, e o
seu fim é a morte eterna, como diz Salomão:
"Há caminho que ao homem parece direito, mas ao
cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14.:12).
Os homens podem conluiar e podem fazer projetos
seguindo o plano contrário de Satanás, o seu deus, mas não podem agir de modo
contrário à vontade e ao plano de Deus, que preordenou toda a história, desde
os maiores aos menores eventos, mesmo os mais (aparentemente) insignificantes! Quanto
aos resultados (deste plano), os santos de Deus podem "dar graças em todas
as coisas", porque sabem que o Criador estabeleceu um plano que garante
que "todas as coisas’, na história, operarão, no seu conjunto, para o bem
dos seus eleitos. Eles podem enfrentar os seus inimigos, que procuram arruinar
suas vidas, bem como podem enfrentar os eventos que os têm afligido e
penalizado, e dizer como José:
"Vós, na verdade,
intentastes o mal contra mim; porém, Deus o tornou em bem, para fazer, como
vedes agora, que se conserve muita gente em vida" (Gn 50:20).
Como reconheceu Nabucodonozor, depois de recobrada a
sua sanidade, podemos entender que:
"Todos os moradores da
terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o
exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem
lhe dizer: Que fazes?" (Dn
4:35).
Loraine Boettner sumariou isto, dizendo: "Tudo
foi infalivelmente determinado e imutavelmente lixado por Deus, desde o começo,
e tudo o que acontece no tempo não é senão a realização daquilo que foi
ordenado na eternidade."
Jeová diz:
"Lembrai-vos das coisas
passadas da antigüidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus, e não há
outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e
desde a antigüidade as coisas que ainda não aconteceram; o meu conselho
permanece de pé, farei toda a minha vontade" (Is 46:9-10).
Quão arrasador do Eu é um tal testemunho! Como à mente
carnal do homem aborrece a doutrina da graça soberana e do castigo! Como o
coração do homem se rebela contra os decretos do Todo-Poderoso, que governa sem
que sua imutável vontade seja violada! Como o homem odeia, quando lhe dizem:
"O coração do homem traça o seu caminho, mas o
Senhor lhe dirige os passos" (Pv 16: 9).
A mente carnal procura criar o seu próprio deus, que
ama a todas as coisas, que se afina com todos os modos do mal e da loucura, e
sucumbe à vontade dos homens maus, que gritam: "Desigualdade!" Os
homens, pecadores que são, não podem tolerar um Deus que diz:
"... Vai e dize a este
povo: Ouvi, ouvi, e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna
insensível o coração deste povo, endurece-lhes os ouvidos, e fecha-lhes os
olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos, e a
entender com o coração, e se converta e seja salvo" (Is 6: 9-10).
Contudo, este é precisamente o Deus que temos na
Escritura, quer o vejamos através dos Profetas do Antigo Testamento, quer o vejamos
na pessoa do seu Filho amado, no Novo Testamento. Como Lutero, rudemente,
coloca a questão: "Ofende grandemente à nossa natureza racional o fato de
Deus, com base em sua só vontade imparcial, deixar alguns homens entregues a si
mesmos, tratá-los duramente e, então, condená-los! Porém, Deus demonstrou
abundantemente - e continua a fazê-lo - que esse é realmente o caso, isto é,
que a única razão pela qual alguns são salvos e outros perecem, está na sua
vontade de salvar àqueles e condenar a estes".
"Logo, (Deus) tem misericórdia de quem quer, e
também endurece a quem lhe apraz" (Rm 9:18).
A Palavra de Deus é o seu poder para a salvação de
todos os que crêem. Ele determina quem há de crer e quem não há de crer. Deus
declara:
"... assim será a palavra
que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e
prosperará naquilo para que a designei" (Is 55":11).
Notemos! A vontade de Deus é realizada pela sua
Palavra, naquilo para o que foi enviada. Dois homens, talvez gêmeos idênticos,
estão sentados na Igreja, assistindo à pregação da Palavra de Deus. Um recebe
Cristo e o outro rejeita o Salvador. Por quê? Cuidado com a resposta à base da
razão humana, mas responda com base na Escritura! Segundo a Bíblia, a Palavra
de Deus realiza a vontade de Deus.
Assim, permanece o fato de que um homem crê, porque
essa é a vontade de Deus; e outro rejeita, porque também essa é a vontade de
Deus. Não fosse a escolha divina, e a eleição de alguns para salvação, ninguém
seria capaz de crer. Só crêem aqueles "que são ordenados para a
salvação", porque a Palavra de Deus nunca retorna vazia, frustrada ou
anulada. Sempre, e sem exceção, realiza o prazer do Deus soberano, porque ele
decretou que o seu plano divino prosperará em cada pormenor, como diz o Livro
de Atos:
"Os gentios, ouvindo
isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que
haviam sido destinados para a vida eterna" (At 13:48).
DEPRAVAÇÃO TOTAL
O primeiro dos Cinco
Pontos do Calvinismo é facilmente lembrado, uma vez que começa, em Inglês,
com a primeira letra do acróstico que formou a palavra TULIP. Se conservássemos a ordem das palavras, em Inglês, a
expressão seria Total Depravação.
Para compreendermos adequadamente a doutrina da
salvação, precisamos conhecer a doutrina do homem, segundo as Escrituras. Concordará
a Bíblia com a posição arminiana - de que o homem não é totalmente decaído -,
ou declarará ela que o homem é totalmente depravado, isto é completamente
incapaz de, no seu estado pecaminoso, cooperar para conseguir a salvação ou de
contribuir, de alguma forma, para alcançar a própria salvação? J. C. Ryle
afirmou mui apropriadamente:
"Há muito poucos erros e
falsas doutrinas cujos começos não se possam atribuir a pontos de vista
incorretos a respeito da corrupção da natureza humana. Maneiras erradas de
considerar uma doença trarão sempre, consigo, o uso errado de remédios. Pontos
de vista errados a respeito da corrupção da natureza humana propiciarão o
emprego de antídotos errados para a cura dessa corrupção".
Plenamente cientes de que começar com uma falsa
hipótese pode significar o ponto de partida para uma terrível heresia, os
augustos teólogos do Sínodo de Dort formularam o primeiro dos Cinco Pontos do Calvinismo, como uma
réplica à exposição dos Cinco Pontos do Arminianismo.O homem, disseram eles, tornou-se "totalmente depravado".
Agora, o ponto fundamental é saber o que os teólogos
reformados querem dizer com a expressão "Depravação Total". Talvez a
questão possa ser melhor respondida, dizendo-se o que a expressão não
significa. Não significa "depravação absoluta". Isto quer dizer que
alguém expressa o mal de sua natureza pecaminosa, tanto quanto possível, a todo
momento. "Depravação Total", portanto, não significa que o homem seja
incapaz de realizar algum bem humano. Todos nós sabemos que o mais perverso dos
homens é capaz de algum bem humano. Todos temos lido história de
"gangsters", barões de bebidas alcoólicas, prostitutas e
alcoviteiros, ao lado de vendedores de entorpecentes, que têm praticado ações
de benemerência, ações humanitárias. Não, a doutrina reformada da
"Depravação Total" não afirma que, no homem, não há bem algum. Quando
o homem se mede pelo homem, ele é sempre capaz de encontrar algum bem em si
mesmo ou nos outros.
A Depravação
Total, segundo os luminares da Reforma Protestante (tais como Lutero,
Calvino e Knox), significa que o homem é tão degradado quanto pode ser. Significa que o homem está além de toda
capacidade de se auto-ajudar porque, como diz Paulo, o homem nasce neste mundo
"morto em delitos e pecados" e, portanto, totalmente leal a Satanás,
o deus dos mortos. Daí vem o argumento do Apóstolo:
"... delitos e pecados,
nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da
potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre
os quais também
todos nós andamos outrora,
segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais." (Ef 2:2-3).
A Depravação do
Homem ou a Incapacidade Total de
livrar-se, por si mesmo, da escravidão do pecado está fundamentada no fato de o
espírito humano estar morto desde o nascimento do homem.
A Depravação
Total significa que o homem, em seu estado natural, é incapaz de fazer qualquer coisa ou desejar qualquer coisa que
agrade a Deus. Enquanto ele não nascer de novo, por obra do Espírito Santo, e
enquanto o seu espírito não for vivificado pela graça de Deus, o homem é
escravo de Satanás ("o príncipe do poder do ar"), que o leva a satisfazer
todos os desejos da carne, que são inimizades contra Deus. Aos olhos de Deus, o
"melhor dos homens" só alimenta pensamentos maus, porque os homens
são orientados a fazer apenas o bem humano, para o glória de si mesmos ou para
a glória de Satanás, mas nunca para a glória do Criador. De fato, isso está bem
patente nas Escrituras:
"E viu o Senhor que a
maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau
todo desígnio do seu coração" (Gn 6
:5).
A Depravação
Total não exclui a idéia de que o homem possa pensar que é detentor de
grande soma de bem, porém a Bíblia diz:
"Enganoso é o coração mais do que todas as
coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?" (Jr 17:9).
Do ponto de vista divino, todos os homens estão sob
condenação porque amam o pecado, e o pecado da desobediência à vontade de Deus
impede o homem de dar toda glória a Deus. Quando o homem insiste em que ainda
possui no seu coração uma centelha do bem divino, e que está procurando andar
segundo Deus, a Palavra de Deus diz:
" Não há justo, nem
sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se
extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um
sequer" (Rm 3:10-11).
Quando o homem é visto da posição do Deus de absoluta
justiça e santidade, a Bíblia declara:
"A condenação é esta: Que
a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as
suas obras eram más" (Jo 3:19).
O homem é totalmente
depravado no sentido de que tudo, na sua natureza, é rebelião contra Deus. O
homem é leal ao deus das trevas e ama a escuridão, mais do que a luz. Sua
vontade, portanto, não é totalmente livre. Ele está preso, pela carne, ao
impiedoso príncipe das trevas. A Depravação
Total significa que o homem, por sua "livre vontade", nunca se
decidirá por Cristo. Nosso amado Senhor diz, de modo contundente:
"Contudo, não quereis vir
a mim para terdes vida" (Jo 5:40).
Por que nosso Senhor diz isso? Porque a vontade do
homem não regenerado está presa pelos
laços do pecado e da morte ao deus dos que estão espiritualmente mortos. Como
Paulo diz a Timóteo, eles "foram feitos cativos" pelo Diabo, para
"cumprirem a sua vontade" (II Tm 2:26).
A Depravação Total significa que o homem natural é totalmente incapaz de discernir a
verdade. De fato, o homem não regenerado considera ridículas as coisas de Deus:
"... homem natural não
aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (I Co 2:14).
A doutrina da Depravação
Total está de acordo com a Escritura. O homem não pode ver ou saber as
coisas concernentes ao reino de Deus, sem que, primeiro, seja regenerado pelo
Espírito Santo. O espírito morto (no pecado) só percebe as coisas do homem e de
Satanás. Por isso, o Senhor disse a Nicodemos:
"...Em verdade, em verdade te digo que se alguém
não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3:3).
Crianças que não nascem não podem ver a luz. Homens
mortos no pecado também não vêem a luz. Os homens naturais, não regenerados,
não podem compreender as coisas de Deus, pois nascem espiritualmente mortos e,
por isso, só conhecem as trevas. São totalmente depravados, totalmente
incapazes de pensar, de perceber ou de fazer qualquer coisa que agrade a Deus,
até que Deus determine o momento adequado para dar-lhes vida e entendimento. A
fé vem depois do dom ou da dádiva da vida. O dar a vida é da vontade de Deus.
Veja-se a ordem em que isto ocorre:
"Mas Deus, sendo rico em
misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos
em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça sois
salvos" (Ef 2:4-5).
O homem não é salvo por algum ato fictício de sua
própria "livre vontade". Ele é salvo pela graça (= "favor
imerecido") de Deus que, em primeiro lugar, lhe dá a vida, e, então,
instila fé em seu coração, como um dom gratuito. Paulo continua:
"Porque pela graça sois
salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não (vem) de
obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8-9).
Observemos! A salvação é dom de Deus. Não é obra do
homem. Deus decretou que as obras da carne não terão parte na "tão grande
salvação", que Ele mesmo providencia. Éobra de Deus através do dom da vida. Ele nos regenerou, quando ainda
estávamos mortos nos pecados. A fé também é dom de Deus. Somos salvos por meio
da fé que "não é de nós
mesmos".
A Depravação
Total significa que o homem não tem "vontade livre", no sentido
de ser livre para confiar
em
Jesus Cristo, como seu Senhor e Salvador. Este primeiro
ponto, como resposta aos Cinco Pontos do
Arminianismo, sustenta que as Escrituras ensinam que o homem é escravo do
pecado, que ele está espiritualmente morto, que ele ama as trevas mais do que a
luz, e que ele só pode ouvir a voz de Satanás - a menos que Deus lhe dê ouvidos
para ouvir e olhos para ver, porque lhe agrade agir assim.
"O ouvido que ouve, e o
olho que vê, o Senhor os fez assim um como o outro" (Pv 20:12).
Dai as palavras de Jesus:
"Qual é a razão por que não compreendem a minha linguagem? E porque sois
incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é o vosso pai"
(Jo 8:43-44).
Depravação Total significa que o homem não
regenerado está enredado no pecado, sem esperança, atado por Satanás com laços
da morte espiritual, e, por isso, totalmente desinteressado das coisas do
Criador, e isso até chegar o tempo de aqueles laços serem quebrados, e de a
morte ser substituída pela vida eterna, coisa que só a obra de Deus pode
realizar, pois só Ele dá a fé que deseja e faz as coisas que agradam a Deus. Eis
o que Paulo fala dos eleitos:
"...porque Deus é quem efetua em vós tanto o
querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).
Exatamente como Lázaro jamais teria ouvido a voz de
Jesus, nem jamais "teria saído para fora", sem que primeiro Jesus lhe
tivesse dado vida, assim todos os homens, "mortos em delitos e
pecados", devem primeiro receber vida de Deus, antes de poderem vir a
Cristo. Desde que os espiritualmente mortos não podem querer receber vida, mas
podem ser levantados de entre os mortos somente pelo poder de Deus, assim o
homem natural não pode, por sua própria "livre vontade" fictícia,
querer ou desejar obter a vida eterna. Como Jesus diz, em João 10:26-28:
"Mas vós não credes porque não sois das minhas
ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem. Eu
lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará
da minha mão."
Pela Depravação Total afirma-se que a única esperança do homem perdido está na eleição
baseada no propósito ou plano de Deus. Somente os que "são de Deus"
ouvem a voz de Deus, chamando-os pelo nome para irem a Ele. Jesus disse àqueles
que não creram nele:
"Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por
isso, não me dais ouvido, porque não sois de Deus" (Jo 8:47).
ELEIÇÃO INCONDICIONAL
O segundo dos Cinco Pontos do Calvinismo é,
também, facilmente lembrado porque começa com a letra U, que é a segunda letra
do acróstico que forma a palavra TULIP. U é a primeira letra da palavra inglesa
unconditional (-- incondicional). A doutrina da Eleição Incondicional é afirmada também na Baptist Confession of
Faith (= "Confissão de Fé Batista"), de 1689, em termos quase
idênticos aos da Confissão de Fé de Westminster, e dos termos dos Trinta e Nove
Artigos, da Igreja da Inglaterra, como também dos termos da Confissão Belga, da
Confissão de Heidelberg e dos Cânones de Dort. Eis os termos:
"Antes da fundação do
mundo, e de acordo com o seu eterno e imutável
propósito, do seu secreto conselho e
do bom prazer da sua vontade - movido
por sua só livre graça e sem qualquer outra razão que, na criatura, servisse de
condição para movê-lo a agir assim -‘ Deus predestinou para a Vida àqueles que
escolheu em Cristo para a glória eterna."
Lembramos que, sobre este ponto, a posição arminiana
sustenta que o pré-conhecimento (de
Deus) está baseado no ato positivo da vontade do homem, como condição ou causa
que move Deus a elegê-lo para a salvação. Todas as Grandes Confissões, de
acordo com os Reformadores Protestantes, declaram que a eleição é incondicional. Em outras palavras, o pré-conhecimento de Deus está baseado no
seu decreto, plano ou propósito que
expressa a sua vontade, e não num ato
previsto de volição positiva da parte
do homem. Devemos, portanto, voltar nossa atenção para a Escritura, a fim de
descobrir se o pré-conhecimento de
Deus está baseado na vontade e propósito do homem, ou na vontade e propósito de Deus mesmo. Paulo afirma:
"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto
aos que de antemão conheceu, também os
predestinou..." (Rm 8:28-29).
Vemos, na passagem acima, que a eleição está baseada no plano divino ("de acordo com o seu
propósito"), de modo que o
pré-conhecimento de Deus também está fundamentado nesse propósito e resulta
dele, e não nas obras do homem que é eleito. É por isso que Paulo afirma:
"E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham
praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição,
prevalecesse, não por causa das obras, mas por aquele que chama)... está
escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú" (Rm 9:11-13).
Na passagem acima, o Apóstolo declara que a base da
eleição está em Deus mesmo, ou, seja, está na vontade e propósito de Deus, e
não no ato de fé ou de alguma outra
condição (como diria Arminius) existente na criatura humana, condição tanto para o bem como para o
mal! A eleição é incondicional. O
homem nada pode fazer para merecê-la!
As Escrituras acentuam que Deus não elege pessoas para
serem salvas por causa de algum bem
ou de alguma coisa eminente que veja nelas. Ao contrário, Deus se apraz em usar
o fraco, o vil e o inútil, de modo a assegurar que somente Ele seja
glorificado!
"Irmãos, reparai, pois,
na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre
nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar
as fortes, e Deus escolheu as coisas
humildes do mundo, e as desprezadas, eaquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que
ninguém se vanglorie na presença de Deus" (I Co 1:26-29).
Em sua segunda Carta a Timóteo, Paulo reafirma a
eleição incondicional, quando escreve:
"...segundo o poder de
Deus que nos salvou e nos chamou com santa
vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada
em Cristo Jesus antes dos tempos eternos" (II Tm
1:8, 9).
Mais uma vez nossa
chamada ou eleição não é condicionada por qualquer coisa que o homem possa
fazer para Deus (tal como exercer volição positiva), mas depende exclusivamente
do "propósito de Deus". A eleição é incondicional e em nada depende
das obras do homem. Com relação à afirmação de que o homem nada pode fazer para
merecer a escolha de Deus - uma vez que sua natureza depravada só é capaz de
responder positivamente a Satanás -‘ Jesus testifica, dizendo:
"Não fostes vós que me
escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos designei
para que vades e deis fruto..." (Jo 15:16).
De fato, segundo Paulo, a escolha foi feita por Deus
antes que Ele tivesse feito qualquer outra coisa:
"... assim como nos
escolheu nele (= em Cristo) antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante ele..." (Ef 1:4).
A qualquer um eqüivale a blasfêmia afirmar que o homem
é capaz de, por sua própria "livre vontade", decidir-se por Cristo,
quando o Filho de Deus, que tem autoridade para fazê-lo, diz de maneira
inequívoca:
"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou,
não o trouxer" (Jo 6:44).
Somente àqueles a quem o Pai considera conveniente
escolher, por sua livre vontade, sem qualquer tipo de condição da parte deles,
é dada a fé que os habilita para a salvação. Notemos o claro testemunho de
Lucas:
"Os gentios, ouvindo
isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna" (At
13:48).
O Senhor Jesus insiste em que a Vida e a Fé são
concedidas como obras de Deus, e não como obras do homem. Diz ele:
"...o Filho vivifica àqueles a quem quer"
(Jo 5:21).
"...A obra de Deus é esta, que creiais naquele
que por ele foi enviado" (Jo 6:29).
Com toda imparcialidade, o evangelista que diz à
multidão: "E o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora", deve
dizer, também, antes: "aquele que o Pai me dá esse virá a mim" (Jo
6:37).
A quem Jesus não lançará fora? Àquele que vai a Ele! E
quem vai ao Salvador? Ele responde: "Todo aquele que o Pai me dá!" A
decisão de ir a Cristo, portanto, é obra que Deus realiza no homem, e não
escolha da "vontade livre" do homem!
Efetivamente, há esplêndida amostra da eleição
incondicional dada por Jesus, quando diz aos líderes de Israel:
"... digo-vos que muitas
viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos
e seis meses... e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão à viúva de
Sarepta... Muitos leprosos havia também nos dias de Eliseu, e nenhum deles foi
purificado, senão Naamã, o Siro" (Lc 4:25-27;cf. I Rs 17:8-24; II Rs 5:1-17).
Não havia, da parte de Naamã nem da parte da viúva de
Sarepta, qualquer condição que pudesse ser descrita como "boa";
contudo, Deus considerou oportuno agir, por sua livre graça, em favor deles,
não obstante serem ambos pagãos. Deixou de lado aqueles que estavam ativamente
envolvidos com a "observação" da Lei de Moisés, e cobriu de favor
imerecido aos que não o conheciam.
Naturalmente, aconteceu o inevitável, quando Jesus
tornou público o assunto da eleição incondicional, isto é, o ato da escolha da
parte de Deus, pela graça e segundo o seu propósito, sem qualquer condição de
bem da parte do homem. Os ouvintes tentaram matá- lo e quiseram atirá-lo
penhasco abaixo. Homens rebeldes, intratáveis e amargos, em seu estado natural
de não-regenerados, odeiam qualquer doutrina que negue ao homem uma parte
mínima de sua glória!
Eis um outro exemplo: Quando Jesus terminou o seu
grande discurso sobre ser Ele "o pão que desceu do céu", Ele disse:
"Por causa disto é que
vos tenho dito: Ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido. À
vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com
ele" (Jo 6:65-66).
Por quê? Porque o Filho de Deus insistia em que a
eleição está baseada na vontade de Deus e não na do homem! Jesus despojou-os do
seu ego exaltado, de que alguma condição boa ou favorável deve existir neles,
para que Deus os eleja.
Se a eleição dependesse do homem, ele nunca creria,
porque o homem é totalmente depravado e incapaz de fazer aquilo que é bom aos
olhos de Deus. Deixado a si mesmo para decidir-se por Cristo, sem que antes a
fé lhe seja outorgada por um ato de Deus, o homem nunca irá a Cristo!
"Contudo, não quereis vir a mim para terdes
vida" (Jo 5:40).
EXPIAÇÃO LIMITADA
Chegamos ao ponto que nos parece o mais difícil dos Cinco Pontos do Calvinismo, e isso
porque a comunidade cristã tem sido condicionada emocionalmente por falsas
práticas, que se originaram de falsas doutrinas relacionadas com o surgimento
de missionários e com o levantamento de fundos para missões.
Quando falamos na obra meritória de Cristo, na cruz,
dizemos corretamente que Ele morreu por todos os homens igualmente, como dizem
os Arminianos, ou afirmamos mais
acuradamente (com os Calvinistas) que
Cristo morreu só pelos eleitos?
Antes de nos manifestarmos a respeito de uma conclusão
apressada, baseada em emoções ou em tradições denominacionais, vejamos o que a
Palavra de Deus e a Lógica têm a dizer com respeito a este assunto de vital
importância.
Muito daquilo que pensamos a respeito da morte expiatória
de Cristo estará condicionado por aquilo que entendemos significar a simples
palavra "Mundo". No Evangelho de João, esta palavra tem sentido
especial. Observemos que esta palavra pode significar: 1. O universo ordenado, que é o seu sentido clássico; 2. Pode
significar a própria terra; 3. Pode
designar os habitantes humanos da terra; 4.
Pode significar a humanidade sujeita ao
juízo do Criador, e alienada dele, no sentido ético; 5. Pode significar o povo que estava ao redor de Cristo, tanto
gentios como judeus; 6. Pode significar o reino de forças más, tanto de natureza angélica (maligna) como de
natureza humana, relacionado com a terra; 7. Pode significar homens de toda
tribo e nação, mas não de todas as tribos e nações, em sua totalidade.
Em outras palavras, o vocábulo "mundo" pode
referir-se a tudo o que Deus criou, ou à esfera terrena habitada pela
humanidade como um todo, ou aos contemporâneos de Cristo, na Palestina, ou a
todas as forças más relacionadas com a terra, em sua rebelião contra Deus, ou,
ainda, pode designar pessoas de cada
tribo e nação que vivem na face da terra. Assim, onde quer que a palavra
"mundo" apareça deve ser considerada de acordo com o seu contexto; do mesmo modo deve-se
considerar a palavra "todos". Por exemplo, as Escrituras registram a
seguinte expressão dos fariseus:
"... vede que nada aproveitais! Eis aí vaio mundo após ele" (Jo 12:19).
Ora, é óbvio, do contexto, que a palavra
"mundo" aí não quer dizer que toda
a humanidade seguia a Jesus, uma vez que os próprios fariseus, que disseram
essas palavras, não seguiam a Jesus! Nessa
ocasião, portanto, a palavra "mundo" inclui só os circunstantes
próximos de Jesus, quer fossem eles judeus quer fossem gentios, atraídos
entusiasticamente a seguir a Jesus (porque tinham ouvido que Ele ressuscitara a
Lázaro de entre os mortos).
Tomemos como outro exemplo o texto áureo das
Escrituras:
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16).
Os Arminianos,
naturalmente, sustentam que a palavra "mundo", nesse texto, significatoda a humanidade, porque eles crêem na pós-destinação (= destino determinadodepois que Deus prevê a volição positiva, como obra do homem,
para ir a Cristo>. Os Calvinistas, por outro lado, coerentemente, sustentam
que a palavra "mundo" designa "homens de toda tribo e nação", mas não "todas as tribos e nações, em sua totalidade". Esta
interpretação é fruto de sua convicção de que a Escritura ensina que a eleição
está baseada no propósito de Deus,
propósito que não é afetado por qualquer tipo de condição por parte do homem, uma vez que a vontade do homem não é livre, mas escravizada a Satanás,
ao pecado e à morte!
Portanto, se cremos que a Bíblia ensina que Deus é
soberano, que o seu plano é imutável e
que sua eleição é incondicional, devemos
concluir que a expiação é limitada àqueles
a quem Deus, livremente, desejou tornar objetos de sua graça, pois graça significa
"favor imerecido". Se é um ato que Deus realiza, sem nenhum mérito da
parte do homem, a "graça", como "favor imerecido", exclui aeleição condicional, isto é, exclui a
eleição baseada no mérito do homem. O ponto de vista Arminiano insiste em afirmar que o ato de fé, por parte do homem, é que o torna merecedor da eleição,
de acordo com o pré-conhecimento de Deus. Se fosse assim, o homem seria salvo
pelas obras, e não pela graça de
Deus. Isto implicaria em que o homem, pelo menos, teria condições de fazer
alguma coisa que agrada a Deus, e a faria por sua própria livre vontade. Paulo nega esta possibilidade, quando escreve:
"... sendo justificados gratuitamente por sua
graça, mediante a redenção que há
em Cristo Jesus" (Rm 3:24).
Retornando novamente a João, 3.16, consideremos a
questão: Por quem Cristo morreu? Backtrackconsidera o versículo com as seguintes perguntas:
1. Quem é que não perecerá, mas terá a vida eterna?
2. Quem deverá crer, segundo a Escritura?
3. Quem, então, está incluído na palavra
"mundo?"
Intimamente, todos concordarão que a resposta à
primeira questão acima é: Todo aquele que crer nele!
O Arminiano
responderá à segunda questão acima, dizendo: Todo aquele que, de sua livre vontade, decidir confiar em
Cristo! O Calvinista responderá à
mesma pergunta, dizendo: Todo aquele que o Pai escolheu em Cristo, por sua livre e soberana vontade. Observemos
algo admirável! As posições arminianas e calvinistas concordam em que a palavra
"mundo", em termos daqueles por quem Cristo morreu, isto é, em termos dos que crêem, inclui
"homens de toda tribo e nação, masnão todas as tribos e nações, como um
todo, uma vez que nem todos confiarão em Cristo!
Os arminianos devem, pelo menos, concordar em que o
sangue de Cristo é suficiente, em
valor, e que sua morte vicária é de
dignidade infinita aos olhos de Deus, e é eficienteou eficaz somente em relação aos eleitos, quer sob o ponto de vista
arminiano, quer sob o ponto de vista calvinista. Atualmente, o ponto de vista
arminiano da expiação universal não é
sustentável. Sua única saída é dizer que a vontade de Deus é frustrada pelo
homem, porque Cristo, ao que se supõe, morreu
por todos os homens aos quais Deus quis salvar, porém não pôde fazê-lo! Isto,
naturalmente, significaria que Deus não é onipotente, e que Cristo obteve
apenas uma pequena vitória na cruz, uma vez que mais homens têm morrido na
descrença, do que têm ido à glória através da fé na obra consumada do Salvador,
no Calvário. Alguns reivindicarão as palavras de Pedro:
"...pelo contrário, ele é
longânimo para convosco, não querendo que
nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (II Pe 3:9).
Correto. Porém, tomemos cuidado com as regras básicas
da linguagem, tanto na gramática portuguesa quanto na gramática grega, pois a
interpretação é a mesma em ambas as línguas, sendo igualmente a mesma a
conclusão. Comecemos por responder à pergunta: A quem é dirigida a 2ª Epístola
de Pedro, na qual se encontram as palavras do texto acima? Ouçamos a resposta
do próprio Apóstolo:
"Simão Pedro, servo e
apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco
obtiveram fé igualmente preciosa na justiça de nosso Deus e Salvador Jesus
Cristo" (II Pe 1:1).
Ele está escrevendo aos crentes, aos eleitos, àqueles
cuja fé descansa na justiça de Deus, e não em alguma condição de justiça própria, por parte do homem.
Em seguida, uma outra questão: Qual é o contexto da
passagem na qual se encontra o versículo acima? É o contexto "onde está a
promessa da sua vinda" (II Pe 3:4). Pedro acrescenta: "Não retarda o
Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco... (II Pe 3:9).
Pare por um momento e responda simplesmente à questão:
A quem Pedro se dirige, quando usa o pronome pessoal "vós"? Refere-se
ele a todos, a eleitos e não-eleitos,
ou estará escrevendo aos que obtiveram fé
igualmente preciosa na justiça de nosso Deus e salvador Jesus Cristo"?(II Pe 1:1).
É óbvio que Pedro está falando só aos crentes, quando diz "vós". Por que o Senhor é
longânimo em relação à promessa de sua vinda? Pela simples razão de não querer
que "nenhum (de vós, isto é, dos crentes) pereça, mas que todos (vós, isto
é, os eleitos) cheguem ao arrependimento" (II Pe 3:9).
Ninguém pode basear-se
em II Pe 3: 9, para apoiar a posição de Arminius, sem violentar o contexto,
aplicando-o mal e desrespeitando a correta interpretação tanto no Português
como no Grego. A afirmação de Pedro ali, como em toda a sua Carta, é a de que
Cristo morreu por nós (os eleitos), e não por todo o mundo. Ele está de acordo
com Paulo, que escreve:
"Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecadopor nós..." (II Co 5:21). "Mas Deus prova o seu
próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós..." (Rm 5:8).
O único significado que convém à palavra
"mundo", na Escritura, quando relacionada com a salvação dos eleitos,
é o que traduz a idéia de "homens de cada tribo e nação", excluindo a
idéia de tribos e nações, como um todo. Paulo
diz:
"... Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a seu próprio
Filho, antes, por todos nós o entregou,
não nos dará com ele graciosamente todas
as coisas? Quem intentará
acusação contra os eleitos de
Deus?..." (Rm 8:31-33).
Cristo não morreu por todos os homens! A expiação é
limitada! A redenção é particular! Só a eleita noiva de Cristo (a Igreja) é o
objeto do amor de Deus. Paulo diz:
"...Cristo amou a Igreja
e a si mesmo se entregou por ela..."(Ef 5:25).
O todos pelos
quais o Senhor morreu são os eleitos que
o Pai escolheu e entregou ao Filho, como "uma noiva santa e sem
defeito". Deus, o Pai, não nos elegeu porqueéramos santos e sem defeito. Paulo diz:
"... assim como nos escolheu nele (= em Cristo) antes da
fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis perante ele; e em amor, nos predestinou para ele..." (Ef 1:4-5).
Não escolhidos porque,mas escolhidos para que pudéssemos
ser santos e sem defeito diante de Deus. Fomos predestinados em amor, não porque em lugar algum da
Escritura a expressão "amados de Deus" é aplicada a quaisquer outras
pessoas, senão aos santos. Nunca é
aplicada ao "Mundo" em geral, de modo a incluir os reprovados. Sobre
estes prevalece o "juízo de Deus", ao passo que, para aqueles (= os
santos) "não há condenação". Só os eleitos são objeto específico do
amor de Deus! Eis o que diz o apóstolo Paulo:
"Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso
Pai e do (nosso) Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar
deste mundo perverso, segundo a vontade
de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém" (GI 1:3-5).
Vejamos um exemplo claro de que a Bíblia ensina que a expiação é limitada. No capítulo 10 do
Evangelho de João, nosso Senhor identifica-se com Jeová, o "Bom
Pastor" do Salmo 23. Quando ele fala de suas "ovelhas", é óbvio
que ele está se referindo aos eleitos que o Pai lhe deu por sua livre vontade. Ele diz:
"Eu sou o bom pastor;
conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim" (Jo 10.14).
Quem são as ovelhas que o conhecem e quais as que ele
conhece? Suas ovelhas são todos os
crentes, os eleitos. Ele diz:
"...Eu dou a minha vida pelas ovelhas" (Jo
10:15).
Em outras palavras: Quando Cristo deu a sua vida na
cruz do Calvário, deu-a por suas ovelhas, os eleitos do Pai! Não são todos os homens que estão incluídos na
expressão "minhas ovelhas". Portanto, Cristo não deu sua vida por todos os homens. Aos que estavam ao seu
redor, naquela ocasião, ele disse:
"Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas" (Jo 10:26).
Os reprovados, os não-eleitos, os descrentes não estão
incluídos no número daqueles por quem Cristo deu a sua vida. Ele morreu só
pelas suas ovelhas. Além do mais, quando ele as chama pelo nome, elas o seguem,
mesmo por que o Pai predestinou-as para fazê-lo. Notemos as palavras de Cristo:
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me
seguem" (Jo 10:27).
Ele dá a vida eterna como um dom gratuito àqueles que o Pai lhe deu antes que o Universo fosse
criado. A salvação é obra do Deus irresistível e onipotente, o único que é
"maior do que todos" os outros, tanto homens como anjos!
"Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo;
e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:29).
As Escrituras não ensinam que Cristo morreu para
salvar a todos dos seus pecados. Afirma-nos, e claramente, que a morte de
Cristo foi consumada para a salvação
do seu povo, que o Pai escolheu desde
a eternidade. Como diz Pedro:
"Vós, porém, sois raça eleita... nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus..." (I Pe 2:9).
Por
que, pois, os Calvinistas crêem na expiação limitada? Pela simples e boa
razão calcada no fato de Cristo e seus santos Apóstolos crerem nela e a
ensinarem! Veja-se o que diz Mateus:
"Ela dará à luz um Filho e lhe porás o nome de
Jesus, porque ele salvará o seu povo dos
pecados deles" (Mt 1:21).
E Paulo afirma:
"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco,
pelo fato de ter Cristo morrido por nós,
sendo nós ainda pecadores" (Rm 5:8).
GRAÇA IRRESISTIVEL
O quarto ponto do Calvinismose contrapõe ao quarto ponto do Arminianismo,sob o título de Graça Irresistível. OsCalvinistas insistem em que a
salvação está baseada na livre vontade de
Deus e, desde que Deus é onipotente, sua graça não pode ser resistida, isto é, não
pode ser rejeitada. Os Arminianos,
por sua vez, respondem que a salvação está baseada sobre a livre vontade do homem, que é capaz de rejeitar a vontade soberana
de Deus, mesmo quando cortejado pelo Espirito Santo. Assim, para oArminianismo, o homem é suficientemente
poderoso para obstruir ou resistir à graça de Deus, que quer desesperadamente
que todos os homens sejam salvos!
Talvez devêssemos começar este assunto definindo a
palavra grega charis, que é
consistentemente traduzida por "graça" no Novo Testamento. O
significado básico da palavra "graça" é "favor imerecido".
Graça é algo que Deus faz em favor do homem, e que o homem não merece, seja
qual for a razão ou o motivo que alegue. Se o homem merece aquilo que recebe de
Deus, ele o obteve por si mesmo. Suas obras, assim, pressupõem recompensa. Mas
aquele que não tem obras para, por meio
delas, condicionar o favor de Deus, precisa clamar por graça. Esta é a base
do questionamento de Paulo:
"Ora, ao que trabalha, o salário não é
considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê
naquele que justifica ao ímpio, a sua fé
lhe é atribuída como justiça"(Rm 4:4-5).
Desde que a fé "é dom de Deus" e "não
das obras", ela é um ato da graça (= de favor imerecido) da parte de Deus
para com o homem. Ao contrário, se a obra da fé é obra do homem, então Deus lhe
é devedor. Porém, se a fé é obra de Deus e dom de Deus ao homem, então o homem,
absolutamente, não tem em si mesmo condiçõesque o façam merecer a salvação como uma recompensa! Segundo Paulo, foi Deus
"... que nos
salvou e nos chamou com santa
vocação; não segundo as nossas obras, mas
conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada
em Cristo Jesus antes
dos tempos eternos" (II Tm 1:9).
Que é que os Catvinistasquerem dizer quando falam em graça
irresistível? Primeiro, responderemos negativamente. Não querem significar
que Deus faça violência ao espírito do homem, forçando-o a fazer algo que o
homem não queira, assim como não forçou Judas a fazer o que fez. Judas agiu
livremente, de acordo com o bom prazer de Satanás, seu mestre, e fez aquilo que
o seu espírito morto, sua alma corrompida pelo pecado, determinou que ele
fizesse. Esta foi, precisamente, a razão pela qual Cristo - conhecendo aquele
que escolhera para conviver com ele, dia após dia, durante três anos e meio, no
seu ministério público -‘ escolheu Judas. Sem sofrer coerção alguma, Judas
cumpriu a determinação de Deus. Eis como Lucas registra esse fato:
"... sendo este (Jesus) entregue pelo determinado desígnio e
presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de
iníquos" (At 2:23).
A palavra "irresistível",
quando aplicada a respeito da graça de Deus para com os seus eleitos, significa que Deus, por "sua própria livre vontade", dá vida àqueles que
escolhe. Desde que o espírito humano vivificado,que é nascido de novo, é dominado pelo Deus
vivo, de maneira irresistível, e o espírito humano morto no pecado é dominado pelo deus
dos mortos, Satanás, de maneira
também irresistível, Deus faz reviver (-- torna vivos) a todos aqueles que
escolheu
em Cristo Jesusantes da fundação do mundo. É o dom
da nova natureza que nos faz aceitar a Cristo de maneira absolutamente irresistível!
O porco, de acordo com a sua natureza, gosta de rolar na lama, ao passo que o
cordeiro, também de acordo com a sua natureza, desdenha a sujeira. "Morto
em delitos e pecados", o homem não regenerado chafurda-se na lama do
pecado e da descrença, porque é de sua própria natureza o agir assim! Porém,
quando Deus dá aos seus eleitos - objetos
do seu amor - uma nova natureza, as
coisas velhas passam, e eis que tudo se faz novo! A nova natureza, que é o espírito
vivificado, que é uma nova criação em Cristo, tem a Deus como irresistível, da mesma forma que antes, morto no
pecado, tinha ao diabo como irresistível!
Os Arminianos,
contudo, insistem em que o Deus onipotente, em sua vontade de salvar a todos os
homens, pode ser frustrado pela vontade de qualquer indivíduo incapaz e
impotente! Em outras palavras, o próprio Espírito Santo é tido (por eles) como
impotente para dar vida, se a vontade do pecador é a de rejeitar a dádiva do
Espírito de Deus. Isto contradiz as palavras de Cristo:
"... o Filho vivifica
àqueles a quem quer" (Jo 5:21).
Em parte alguma a Bíblia diz que o homem escolhe a vida eterna por sua própria livre vontade. Ao contrário, as
Escrituras afirmam que aquele que o Pai der ao seu amado Filho, virá a ele,
porque o Pai quer que ele venha. Ouçamos a Jesus:
"Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e
o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6:37).
A quem o Senhor não lançará fora, segundo declara? De
acordo com suas palavras na primeira parte do texto acima, são aqueles que o Pai
determinou fossem a Jesus! A isto chamamos "graça irresistível!"
Sejamos lógicos na nossa maneira de pensar a respeito
da "vontade". Há a vontade de
Deus, da qual a Bíblia diz:
"Todos os moradores da terra são por ele
reputados em nada; e, segundo a sua vontade,ele opera com o exercício do céu e os moradores da terra; não há quem lhe
possa deter a mão, nem dizer: Que fazes?" (Dn 4:35).
A seguir, temos a vontade
de Satanás, a mais poderosa criatura que Deus criou. Como arquimimigo de
Deus, e mais poderoso do que o homem, que foi "criado um pouco menor do
que os anjos", Satanás, não obstante, é menos poderoso do que Deus. Vê-se
isto no fato de Jeová estabelecer estreitos limites à ação do velho Acusador. O
registro de Jó dá um bom número de exemplos dos limites que o Senhor
estabeleceu à ação de Satanás, e que ele não podia ultrapassar, quando
perseguia a Jó. Portanto, mesmo que Satanás seja mais poderoso do que os santos
anjos, ele não é onipotente, como Jeová, nem
ainda onisciente e/ou onipresente como Jeová. Satanás é um poder de segunda classe!
O homem, por outro lado, é um poder de terceira classe. Ele não é capaz de (por
si mesmo) resistir a
Satanás, porque sua vontade é inferior à vontade do
Diabo. Paulo diz que o homem não regenerado, que se opõe aos servos de Deus que
ensinam a Palavra,
"... são feitos cativos
por ele (Satanás) para cumprirem a sua vontade" (II Tm 2:26).
Como pode Satanás enlaçar o perdido "em sua
vontade?" Pelo simples fato de o homem - sem o Espírito Santo - ser um
poder inferior, que não pode resistir à mais poderosa criatura já criada! É por
esta razão que os que estão "mortos em delitos e pecados" são
governados pelo Diabo, que se contrapõe a Deus.
"... e nos quais andastes outrora, segundo o
curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora
opera nos filhos da desobediência" (Ef 2:2).
Os reprovados são manobrados pelo Diabo. Fazem sua
vontade porque "são filhos da ira" e estão sob a condenação de Deus. Os
perdidos têm a sua vontade presa, porque
são irresistivelmente dominados pelo deus dos mortos, a menos que o Deus dos
vivos considere oportuno conceder-lhes o dom da vida e da fé.
Os reprovados, os não-eleitos, nunca são vistos como
objetos do amor salvador de Deus. Só os eleitos que o Pai escolheu para dar ao
seu amado Filho, como noiva, são
declarados (na Bíblia) como "amados do Senhor". Não me cansarei de
dizer-lhes que o amor de Deus não está baseado em imaginárias condições de
qualquer tipo de bens que (existam) em nós! Paulo diz que Deus nos amou
"quando estávamos mortos em pecados". Não fomos salvos porque Deus
pré-conheceu em nos boas obras de fé", que resultariam de nossa volição positiva para com Jesus! Esse
modo de pensar poria Deus na condição de devedorpara com o homem pecador. Paulo diz que tudo o que Deus faz é obra da
graça. Aleluia!
"Mas Deus, sendo rico em
misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos
em nossos delitos, nos deu vida
juntamente com Cristo - pela graça sois salvos" (Ef 2:4-5).
Mesmo os Arminianos
devem entender que ao afirmarem que a graça de Deus - que quer salvar o homem -
pode ser resistida e rejeitada, estão afirmando que o homem - uma criatura cujo
poder é de terceira classe, e
controlado por um poder mais alto, de segunda
classe - é dotado de uma tal vontade
livre que pode quebrar o poder superior de Satanás, e "escolher o
caminho para o céu!" De duas uma: Ou o Pai celestial é permissivo e não se incomoda em permitir que os objetos de seu amor vão
para o inferno, como eles desejam, ou o homem, criatura finita, sendo um poder
de terceira classe, pode resistir a Deus, um poder de primeira classe! Isto
eqüivaleria a reconhecer que um poder de terceira classe - o homem - é maior do
que Deus! Inacreditável!
O homem não regenerado não pode ir a Cristo, porque
está preso a Satanás. Para ele, Satanás é
irresistível e Jeová desprezível! O
homem não tem vontade livre, porque
sua vontade está jungida a Satanás. O homem não tem poder para resistir a Deus,
se Deus "quiser salvá-lo". O homem não é apenas um poder de terceira
classe, submetido ao deus dos mortos, mas não pode nem mesmo resistir a seus
maus hábitos e às luxurias de sua carne! O homem necessita que Deus o domine
irresistivelmente por sua graça, pois, do contrário, o homem não poderá dar jamaisum passo na direção de Cristo. Daí as
palavras do Senhor:
"Ninguém pode vir a mim
se o Pai que me enviou não o trouxer" (Jo 6:44).
Exemplo significativo deste fato nos é dado por Lídia,
a vendedora de púrpura:
"... o Senhor lhe abriu o
coração para atender às coisas que Paulo dizia" (At 16:14).
Quem abriu o coração dela para Jesus? Que ensina a
Bíblia? Que o pecador abre o seu coração a Jesus, ou que é o Senhor que abre
seu coração?
O homem é totalmente depravado e destituído de
qualquer inclinação para com Deus. Ele jamais teve condição para ou esteve em
condições de, por si mesmo, merecer a salvação. Portanto, ele só pode ser incondicionalmente eleito para se tornar o recipiente da vida e da
fé. Cristo não morreu por todos os
homens, porém somente para salvar àqueles aos quais o Pai escolheu, por sua livre vontade, de cada tribo e nação,
sobre a face da terra. A morte de Cristo e o seu precioso sangue foram
destinados, especificamente, àqueles que Deus determinou fossem ao seu amado
Filho, pela fé, mediante a sua graça
irresistível, e através do dom da vida concedida pelo Espírito Santo.
PERSEVERANÇA DOS
SANTOS
Em suas afirmações, os Arminianos ensinam que a pessoa
salva "pode decair da graça" e, portanto, pode perder a salvação uma
vez adquirida. Desde que o ato de fé,
para a salvação, depende da vontade do
homem, há a possibilidade de a fé deixar de ser contínua e de o pecador
cometer algum pecado digno de condenação, e, assim, por sua própria vontade,
ele pode rejeitar a Deus e voltar-se para o seu velho mestre - o Diabo! Essa,
naturalmente, é a única conclusão lógica a que pode chegar alguém que defende
os quatro primeiros pontos do Arminianismo,e os "brilhantes" estudantes dessa doutrina sabem disso!
Os Calvinistas
ensinam que os santos, também conhecidos como eleitos, nunca podem perder-se,
uma vez que a salvação deles é assegurada pela imutável vontade do Deus onipotente! Uma vez que nenhuma condição, da parte do homem, determina a sua
escolha; visto que as Escrituras ensinam que a eleição é incondicional, não há razão para o homem salvo temer a perda da
salvação, pois quem o salva é a graça de Deus. Certamente, raciocina o Calvinista, se é da vontade de Deus que
eu seja salvo- e a vontade de Deus é imutável -, eu sou alcançado pela
salvação, permaneço nela e vou para o céu, porque essa é a vontade de Deus!
"Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que
fôssemos como que primícias das suas criaturas" (Tg 1:18).
Assim, deparamo-nos com duas posições diametralmente
opostas. Uma está baseada no raciocínio da mente carnal (que é sempre inimiga
de Deus); a outra se constitui num fato baseado na Escritura. Consideremos, portanto, o que a bíblia diz:
"Estou plenamente certo de que aquele que começou
boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus" (Fp 1:6).
Portanto, Deus, que é o Autor da "boa obra"
(que Ele começou no eleito, e não o
homem), "quer realizá-la (tempo verbal contínuo, ou manter em realização a
obra no santo) até ao dia de Cristo Jesus", quando os eleitos receberão corpo ressurreto e sem pecado! Portanto, essa
"boa obra" é dele e não nossa! Por isso, Paulo diz ainda aos cristãos
de Filipos:
"Pois a nossa pátria está
nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual
transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo de sua
glória, segunda a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas
coisas" (Fp 3:20-21).
Observe-se a quem o Pai deu "todo poder", de
modo a torná-lo capaz de submeter "todas as coisas a si mesmo". Deu
"todo poder" a nosso Rei-Salvador, que há de retornar! Ele é o
glorioso de quem as Escrituras dizem:
"...lhe
conferiste autoridade sobre toda carne, a
fim de que ele conceda a vida eterna a
todos os que lhe deste" (Jo 17:2).
Dará vida eterna a quantos?
A quem? O Filho de Deus afirma também nos mais incisivos termos:
"E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum
eu perca de todos os que me deu; pelo
contrário, eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6:39).
Que diz a sua Bíblia? Perder-se-ão alguns dos que o
Pai deu ao Filho? Ou não se perderá nenhumdos que o Pai lhe deu? Se é evidente que a salvação é do Senhor, é evidente também que, unia vez
salvos pelo poder de Deus, estão salvos
para sempre! Nada temos de fazer, absolutamente, para "receber a
salvação", e nada temos de fazer também, absolutamente, "para
conservar a salvação", porque a salvação nos é dada pela graça de Deus, e não pela vontade vacilante do homem! Notemos as
palavras de Deus, o Filho:
"Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão,
eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10:28).
Quanto tempo dura a salvação que Deus nos dá por sua própria vontade? Poderá perecer a ovelha eleita pelo Bom Pastor? De quem
são as palavras que citamos neste último versículo? Do homem ou de Deus? Por
que será que alguns se baseiam em passagens não muito claras, nas Escrituras,
para tentar anular passagens super claras? Pode ser porque se recusam a ter a
salvação pela soberana graça de Deus, ou porque querem ter a salvação obtida por
suas próprias obras de fé.
Vejam-se as palavras de Pedro ditas quando ele estava
sendo dirigido e controlado pelo Espírito Santo. Para ele, os eleitos eram
destinados
"... para serem herança incorruptível sem mácula, imarcescível,
reservada nos céus para vós outros, quesois guardados pelo poder de Deus,
mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo" (I
Pe 1:4-5).
Não é, pois, de maravilhar que Paulo tenha cantado
exultantemente:
"... porque eu sei em
quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia" (2 Tm 1.12). Confira
esta passagem com João 17:11.
Somos predestinados para o céu, porque Deus nos elegeu para a glória! É por isso que
Paulo assegura aos Tessalonicenses:
"... para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho,
para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo" (II Ts 2:14).
Os céus são o nosso
lar e a glória daquela habitação celestial é a nossa herança, porque Deus assim quis por meio de sua graça! Eis o
que Paulo nos diz:
"... nele, (em Cristo) digo, no qual fomos também
feitos herança, predestinados segundo o
propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua
vontade" (Ef 1:11).
"...o que Israel busca, isso não conseguiu; mas a
eleição o alcançou; e os mais foram
endurecidos" (Rm 11:7).
"... por isso que Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação
do Espirito e fé na verdade" (II Ts 2:13).
1
É não pequena maravilha Paulo - sabendo que o Criador
onipotente fez dele objeto do seu amor - dizer ousadamente:
"O Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo
para o seu reino celestial" (II Tm 4:18).
Não pequena maravilha é Judas escrever aos eleitos de Deus:
"Judas, servo de Jesus
Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados
em Deus Pai,
e guardados
em Jesus
Cristo" (Jd 1).
Não pequena maravilha é Paulo orar confiantemente
pelos santos de Tessalônica:
"O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e
o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; fiel é o que vos chama, o qual também o fará" (I Ts 5:23-24).
Quem é que preserva os crentes "imaculados"
até que Ele venha? Quem é que é fiel? Quem é que faz o maravilhoso trabalho de santificar e guardar? É nosso Senhor
Jesus Cristo, naturalmente! Os santos perseveram,porque ele persevera. Não somos
guardados em pedaços ou em partes, mas somos
guardados completos, íntegros: "Espírito, alma e corpo". Ou, como
diz Judas no fim de sua vigorosa Epístola:
"Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de
tropeços e para vos apresentar com
exultação, imaculados diante de sua glória, ao único Deus, nosso Salvador,
mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por
todos os séculos. Amém"
(Jd 24-25).
Sim, os santos perseverarãoporque o Salvador declara que quer
perseverar em favor deles, e quer guardá-los!Se a perseverança depende do homem volúvel, com sua pecaminosa natureza
decaída, então ele não tem esperança. A perseverança
dos santos depende da graça
irresistível que nos é assegurada porque Cristo morreu por nós, uma vez que
a expiação que temos, pelo seu sangue, é limitada
aos eleitos. Essa eleição, graças a Deus, não está baseada em qualquer condição de bem pré-conhecido
em nós, pois "bom não há sequer um!" Pela graça de Deus, a eleição é incondicional e não se pode encontrar nenhuma condição por parte do homem,
visto que ele é totalmente depravado, isto
é, totalmente incapaz de exercer boa vontade para com Deus, totalmente
impotente para, por isso mesmo, alcançar a vida ou, por sua livre vontade, totalmente incapaz de
livrar-se do super poder do deus da morte!
CONCLUINDO
Agora, o Autor desta avaliação feita sobre os Cinco Pontos do Arminianismo e sobre os Cinco Pontos do Calvinismo precisa, à
luz das Escrituras, fazer uma confissão. Há não muitos anos passados eu era um arminiano convicto! Eu nasci de novo,
pela vontade e graça de Deus, num altar metodista. Posteriormente, tornei-me um
ministro metodista. Como eu precisava preparar mensagens expositivas para o
povo de minha Igreja, eu procurava o sentido de cada palavra-chave no Grego ou
no Hebraico. O resultado foi que logo eu percebi que a posição doutrinária da
minha denominação não era compatív |